Bom dia, boa tarde e boa noite! Amigos (as) e Famílias Tabirenses, Pajeuzeiras, Pernambucanas...
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Valor previsto no Orçamento é 25,4% superior ao considerado para 2026; enquanto os bilhões aumentam, famílias questionam bloqueios, suspensões e dificuldades para manter o benefício
O Governo Federal vai reservar R$ 83,9 bilhões para o Benefício de Prestação Continuada (BPC) destinado às pessoas com deficiência em 2027. O valor previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) representa um aumento de 25,4% em relação aos cerca de R$ 66,9 bilhões considerados para 2026. Os números foram divulgados nesta segunda-feira (14) pelo Poder360, com base nos documentos orçamentários do governo.
É uma cifra expressiva. Mas existe uma pergunta que precisa ser feita: de que adianta aumentar o dinheiro reservado para o BPC se, ao mesmo tempo, pessoas que dependem desse benefício enfrentam bloqueios, suspensões, revisões e dificuldades para continuar recebendo uma renda que muitas vezes é essencial para a própria sobrevivência?

Mais dinheiro no orçamento? Mas e quem teve o benefício suspenso?
O BPC garante um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência de qualquer idade ou ao idoso com 65 anos ou mais que cumpra os critérios legais. O benefício é assistencial e não exige contribuição prévia ao INSS.
Para uma família que depende dessa renda, portanto, a discussão sobre o orçamento não é apenas uma questão contábil. É comida. É medicamento. É transporte. É tratamento. É equipamento de tecnologia assistiva. É pagar uma conta de água ou de energia. É conseguir manter uma pessoa com deficiência dentro de casa com um mínimo de segurança e dignidade. E é justamente aí que aparece o paradoxo.
É tudo aquilo que falta na política pública para essas famílias.
O orçamento aumenta, mas continuam existindo relatos e registros institucionais de problemas na manutenção do benefício.
Em agosto de 2025, a Defensoria Pública da União (DPU) realizou uma reunião especificamente para tratar dos chamados cortes indevidos do BPC.
Segundo a DPU, entre os fatores discutidos estavam falhas na atualização cadastral, exigência de novas perícias médicas e alterações na composição da renda familiar. A instituição também relatou situações em que procedimentos ocorreriam sem aviso prévio adequado, deixando beneficiários em situação de vulnerabilidade.
A defensora pública federal Raquel Brodsky Rodrigues afirmou, na ocasião, que um dos problemas identificados era o fato de algumas pessoas não serem notificadas previamente e acabarem surpreendidas com a suspensão do benefício. A DPU também mencionou barreiras de acessibilidade nos sistemas e demora no atendimento.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social informa que o BPC é revisado periodicamente para verificar se o beneficiário continua atendendo aos critérios legais. Entre as exigências está a manutenção do Cadastro Único atualizado.
Na revisão cadastral de 2026, o Governo estabeleceu procedimentos que podem levar ao bloqueio, suspensão e posteriormente à cessação do benefício quando determinadas pendências cadastrais não são resolvidas.
Isso significa que controle e revisão fazem parte da política pública.
O problema está em outra pergunta: como garantir que ninguém que tenha direito ao BPC seja retirado do benefício por erro, falha de comunicação, dificuldade de acesso ou problema administrativo?
R$ 83,9 bilhões não significam necessariamente R$ 83,9 bilhões gastos
Há ainda uma diferença importante nos números.
Levantamentos apontam que os R$ 83,9 bilhões são a dotação prevista no PLOA 2027 para o BPC das pessoas com deficiência. Já o estudo técnico que acompanha o planejamento orçamentário estima uma despesa de R$ 75,5 bilhões para essa finalidade em 2027. São conceitos orçamentários diferentes.
Portanto, não se trata de afirmar que o Governo necessariamente gastará R$ 83,9 bilhões. Trata-se da previsão orçamentária apresentada para 2027.
E há outra razão para o crescimento das despesas: o Governo estima o salário mínimo de 2027 em R$ 1.741, contra R$ 1.621 em 2026. Como o BPC tem o salário mínimo como referência, o reajuste também aumenta o valor individual pago e, consequentemente, a despesa projetada.
O Governo pode — e deve — comemorar quando consegue aperfeiçoar os mecanismos de controle.
Mas a sociedade também precisa cobrar transparência sobre a outra ponta. Quanto foi economizado com os cortes? Quanto foi pago novamente depois que o cidadão provou que tinha direito? E quantas pessoas ficaram sem receber enquanto esperavam uma resposta do Estado?
Por isso, a discussão sobre os R$ 83,9 bilhões precisa vir acompanhada de outra discussão: acesso, manutenção e proteção do direito.
Postado Pôr Antonio Brito

A decisão da governadora Raquel Lyra de focar a reta final da campanha na Região Metropolitana, externada ontem, mais os movimentos que a campanha de João Campos projeta pros últimos dias prova o pragmatismo em uma disputa tão acirrada. O foco nos últimos dias vai mirar a Região Metropolitana do Recife.
E não é por acaso: os dados do TSE confirmam a concentração de eleitores na Região Metropolitana do Recife (RMR). Dos 7.225.744 pernambucanos aptos a votar, 3.016.723 estão distribuídos entre os 14 municípios que compõem a região, o equivalente a 41,7% do eleitorado estadual.
As demais regiões do estado somam 1.850.967 eleitores no Agreste, 1.326.448, no Sertão e 1.031.606, na Zona da Mata, demonstrando a forte concentração populacional e eleitoral na RMR.
Recife permanece como o maior colégio eleitoral de Pernambuco, com 1.228.592 eleitoras e eleitores aptos a votar nas Eleições 2026. Em seguida aparecem Jaboatão dos Guararapes (498.144) e Olinda (301.743).
A concentração de votos na região explica o óbvio: focar nos 14 municípios da região melhora a logística, concentra as energias de campanha e o mais decisivo: resolve a eleição.
Foi a movimentação política no grande Recife que moldou essa eleição até agora. Quando João liderava, o fazia por conta da força que tinha na Metropolitana. Quando Raquel virou, isso só foi possível porque ela reduziu a diferença na Metropolitana.
Com base nas últimas pesquisas, Raquel ganha no Agreste e Zona da Mata. Há um empate técnico no sertão. Mas perde na Metropolitana. A Múltipla de 27 de agosto deu 51% a 32% pró João. Por isso a vantagem de Raquel não aumentou a ponto de dar tranquilidade na reta final. A movimentação de João nas últimas Quaest e Datafolha provaram isso.
A leitura objetiva é: se Raquel equilibrar mais na Metropolitana, consegue deslanchar e liquida a fatura. Se João recuperar parte do terreno que perdeu, pode chegar à revirada no momento mais importante da campanha.
Pega a chave do Palácio do Campo das Princesas quem melhorar seu desempenho na Região Metropolitana. É lá que mora o segredo do sucesso, ou do fracasso dessa eleição.
Menor

O menor eleitorado do estado é o do Distrito Estadual de Fernando de Noronha, com 3.701 eleitores aptos. Vinculado à 4ª Zona Eleitoral, sediada no Recife, o arquipélago possui uma particularidade: além de participar das Eleições Gerais, os moradores também elegem este ano os integrantes do Conselho Distrital, totalizando sete votos.
Menores

Contraste
Os dados do TSE também mostram que 105 dos 184 municípios pernambucanos possuem menos de 20 mil eleitores, evidenciando o contraste entre a concentração do eleitorado na Região Metropolitana e a realidade da maioria das cidades do estado.
Prepara a pipoca
O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou que vai transmitir ao vivo a sessão plenária marcada para terça-feira (15/09), 10 horas, dedicada exclusivamente à análise do relatório da Polícia Federal com mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao minsitro Alexandre de Moraes. Fachin tirou a relatoria de André Mendonça sobre o caso.
Vencedor

Votar na raposa e na galinha

Margem ou curva ?

Lá vem pesquisa Múltipla

Guerra jurídica

Resposta

Xadrez

Embate

Zeca é Luquel

O prefeito de Arcoverde, Zeca Cavalcanti, abriu o voto para presidente: participa neste domingo da caminhada de Lula, organizada pelo PT e movimentos sociais para este 13 de setembro.
São José também tem

Desafio

O deputado estadual Luciano Duque (Podemos) esteve no programa Pajeú nas Eleições e desafiou a prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado para um debate. O mote, quer provar que há corrupção no governo cara a cara com a gestora. Márcia têm ignorado os questionamentos da oposição e têm dito que Serra Talhada “vive o melhor momento de sua história”.
Sem incitação
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinou a suspensão imediata da página @raquel_bolada por sete dias, e a remoção de uma publicação sugerindo aos seguidores para que recepcionassem com ovos a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD). A ação foi apresentada pela Coligação Pernambuco de Coração. O desembargador eleitoral, Luiz Gustavo Mendonça, entendeu que houve “utilização da propaganda eleitoral para estimular comportamento fisicamente hostil contra candidato”.
Albérico defende eleição de João e Maria em Iguaracy

Frase da semana:
“Espero que ela do dia 15 pra frente diga, faça como eu, Mainha, e vote nos dois“.De Sebastião Oliveira, presidente do AVANTE, sobre Raquel Lyra ter condições de puxar Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha para desencalharem nas pesquisas.

Convites foram encaminhados para as Assessorias e entregues fisicamente nesta sexta-feira (11). Iniciativa faz parte do projeto Eleições Inclusivas 2026 e busca colocar as políticas para pessoas com deficiência no centro do debate eleitoral
Os candidatos ao Governo do Estado de São Paulo nas eleições de 2026 foram convidados pelo Diário PcD a apresentar diretamente ao eleitorado suas propostas para as pessoas com deficiência a partir de 2027.
Os convites para as entrevistas foram enviados em 2 e 7 de setembro para os emails das assessorias, lideranças partidárias e diretórios estaduais. Já nesta sexta-feira, 11, a informação foi protocolada no Comitê Central de Tarcísio de Freitas – na Avenida Brasil, 1299 e na Rua Riachuelo 70 para Fernando Haddad.
A iniciativa integra o projeto “Eleições Inclusivas 2026 – Democracia para todos. Direitos para cada um”, criado para ampliar o espaço de discussão sobre acessibilidade, direitos e políticas públicas para as pessoas com deficiência durante o processo eleitoral.
A proposta é que cada candidatura disponha de 25 minutos para apresentar suas posições e propostas para as pessoas com deficiência, garantindo tratamento jornalístico isonômico entre os participantes.
As entrevistas deverão abordar questões diretamente relacionadas à vida de milhões de paulistas com deficiência e suas famílias.
Entre os temas previstos estão:
Para o Diário PcD, colocar esses temas no debate eleitoral é fundamental para que o eleitor possa tomar uma decisão consciente e informada.
A proposta não é realizar uma sabatina sobre assuntos genéricos. O objetivo é permitir que cada candidato explique o que pretende fazer, caso eleito ou reeleito, para ampliar, manter ou aperfeiçoar as políticas públicas destinadas às pessoas com deficiência no Estado de São Paulo.
Isso inclui uma questão particularmente importante: quais serão as prioridades do próximo governo para a população com deficiência e quanto será destinado para colocá-las em prática?
O Diário PcD ressalta que o convite tem caráter exclusivamente jornalístico.
A iniciativa não solicita apoio, posicionamento ou qualquer compromisso político das candidaturas. O objetivo é abrir espaço para que os próprios candidatos apresentem suas propostas diretamente ao público.
A participação de cada candidatura será registrada e divulgada de acordo com os critérios editoriais do veículo, respeitando os princípios de independência jornalística, isonomia e pluralidade.
A iniciativa também retoma uma experiência realizada pelo Diário PcD nas eleições de 2022, quando o veículo promoveu entrevistas com candidatos para discutir propostas relacionadas às pessoas com deficiência.
As entrevistas serão transmitidas pelos canais do Diário PcD no YouTube e Instagram.
Para as candidaturas, foram oferecidas diferentes opções de agenda, justamente para facilitar a participação.

Mais do que saber quem pretende governar São Paulo, o eleitorado PcD precisa saber o que cada candidato pretende fazer quando chegar ao Palácio dos Bandeirantes.
Essas são algumas das respostas que o Diário PcD pretende levar ao eleitorado.
Postado Pôr Antonio Brito
Mar Galcerán é apresentada como a primeira pessoa com síndrome de Down a ocupar um assento no parlamento espanhol. Com décadas de atuação pública, ela pretende continuar sua trajetória política.

Mar Galcerán, é deputada do Partido Popular na Espanha. Ela é a primeira pessoa com síndrome de Down a ocupar um assento no parlamento espanhol.
Nos últimos tempos, ela ocupou inúmeras capas e manchetes em vários países do mundo.
Galcerán, 46 anos, é integrante das Cortes desde setembro do ano passado e ocupa um dos 99 lugares do legislativo em seu país.
Ela começou na política na década de 1990, com apenas 20 anos. Nas décadas de 1990 e 2000 atuou ocupando cargos em ministérios valencianos e órgãos público. Foram 26 anos de atuação na vida pública antes de ser eleita deputada.
Com toda esta carreira e experiência, Galcerán olha agora para o futuro. É verdade que ela ainda não atua como deputada há muito tempo, mas isso não a impede de ter clareza sobre seus objetivos. Ela já vislumbra um novo mandato de mais 4 anos.
Ela sem dúvida é um exemplo para as pessoas com Sindrome de Down em todo o mundo.
Fonte https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=26b70cff-2b84-4fb3-9348-b8d803b6a0fe
Postado Pôr Antonio Brito

Diferença entre os dois principais candidatos caiu de oito para seis pontos em relação à rodada de 25 de agosto.
Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (8) mostra a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) com 43% das intenções de voto para o Governo de Pernambuco. João Campos (PSB) aparece com 37%.
Na pesquisa anterior, divulgada em 25 de agosto, Raquel tinha 44% e João, 36%. Assim, a governadora oscilou um ponto para baixo e o candidato do PSB, um ponto para cima. A diferença entre os dois passou de oito para seis pontos percentuais.
Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, Raquel pode variar entre 40% e 46%, enquanto João fica entre 34% e 40%, fazendo com que os intervalos se encontrem no limite da margem.
Ivan Moraes (PSOL) aparece com 1%, mesmo percentual da rodada anterior. Renan Hallais (Missão) também tem 1%, ante 0% em agosto.
Professora Camila (UP), Professor Jeremias do Banco (Democrata), Victor Assis (PCO) e Guilherme Fonseca (PSTU) aparecem com 0%.
Os indecisos somam 12%, mesmo percentual da pesquisa anterior. Brancos, nulos e os que afirmam que não vão votar representam 6%, ante 7% em agosto.
A Quaest também perguntou sobre o grau de definição do voto. Para 76% dos entrevistados, a escolha já é definitiva, contra 72% anteriormente. Outros 23% afirmam que ainda podem mudar de candidato até 4 de outubro; eram 27%.
Na pesquisa espontânea, Raquel tem 33%, mesmo índice de agosto, enquanto João passou de 22% para 24%. Os indecisos são 40%.
Contratada pela Globo, a Quaest entrevistou 1.302 eleitores entre os dias 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número PE-00285/2026.
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Especialistas orientam pais e professores a observar mudanças persistentes de comportamento e explicam como abordar o assunto sem julgamento
Nem sempre uma criança ou adolescente que está passando por sofrimento emocional vai dizer que não está bem. Mudanças de comportamento, irritabilidade, isolamento, alterações no sono, queda no rendimento escolar e perda de interesse por atividades que antes faziam parte da rotina podem ser sinais de que algo precisa de atenção. No Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre prevenção do suicídio, especialistas alertam para a importância de identificar precocemente sinais de sofrimento psíquico entre crianças e adolescentes.
Segundo a neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, especialista em desenvolvimento infantil, o comportamento pode ser uma das principais formas de comunicação da criança.
“Nem toda criança consegue dizer que está sofrendo. Muitas vezes, ela demonstra isso por meio do comportamento. Por isso, mais do que observar um comportamento isolado, os pais precisam perceber mudanças em relação ao padrão daquela criança. Se ela sempre foi comunicativa e passa a se isolar, se costumava participar das atividades e perde o interesse ou apresenta uma irritabilidade que não era habitual, é importante investigar o que está acontecendo”, explica.
A especialista ressalta que isso não significa que toda alteração de comportamento seja indicativa de um transtorno ou de uma situação grave. O que merece atenção é a persistência, intensidade e impacto da mudança na rotina.
“Uma criança pode estar triste, frustrada ou irritada em determinado momento e isso faz parte da vida. O sinal de alerta aparece quando aquela mudança permanece, se intensifica ou começa a interferir na escola, nas relações, no sono, na alimentação ou nas atividades que antes eram prazerosas”, afirma Silvia.
Em crianças neurodivergentes, como aquelas com autismo ou TDAH, a identificação pode ser mais complexa. De acordo com Silvia, comportamentos novos não devem ser automaticamente atribuídos à condição de base.
“É muito importante conhecer o funcionamento daquela criança. Em uma criança autista, por exemplo, uma mudança comportamental pode ser rapidamente interpretada como parte do autismo. Mas uma alteração nova, que foge do padrão habitual, também pode indicar que ela está enfrentando alguma dificuldade emocional, social ou ambiental”, diz.
A parceria entre família e escola também pode ajudar na identificação.
“Professores passam muitas horas com essas crianças e podem perceber mudanças que não aparecem em casa. Da mesma forma, os pais conhecem aspectos que a escola não necessariamente observa. Quando família e escola compartilham essas informações, conseguimos ter uma visão muito mais completa da criança”, afirma.
Para a psiquiatra Fabricia Signorelli, especialista em transtornos do neurodesenvolvimento e altas habilidades, um dos erros mais comuns é associar sofrimento emocional apenas à tristeza.
“Quando pensamos em saúde mental, muitas pessoas imaginam uma criança ou adolescente triste, chorando e dizendo que não quer fazer nada. Mas o sofrimento também pode aparecer como irritabilidade, agressividade, isolamento, queda no desempenho escolar, alterações importantes no sono ou perda de interesse. Por isso, precisamos olhar para mudanças no funcionamento como um todo”, explica.
A psiquiatra destaca que o contexto deve ser considerado antes de qualquer conclusão.
“Não é porque um adolescente está irritado ou quer ficar sozinho em determinado momento que existe necessariamente um problema de saúde mental. A adolescência envolve mudanças importantes. O que merece atenção é quando existe uma alteração significativa em relação ao comportamento habitual e essa mudança persiste ou começa a prejudicar a vida do jovem”, afirma.
Uma das dúvidas mais frequentes dos pais é como abordar o assunto. Para Fabricia, o primeiro passo é criar um ambiente em que o jovem se sinta seguro para falar.
“Precisamos trocar o interrogatório pela disponibilidade. Em vez de perguntar apenas ‘o que você tem?’, os pais podem demonstrar que perceberam a mudança e dizer que estão disponíveis para conversar. O mais importante é ouvir sem minimizar imediatamente aquilo que o jovem está sentindo”, orienta.
Frases como “isso é só uma fase”, “você não tem motivo para estar assim” ou “todo mundo passa por isso” podem dificultar a comunicação.
“Quando alguém consegue falar sobre uma dor emocional e escuta que aquilo não é importante, pode entender que não vale a pena falar novamente. Acolher não significa concordar com tudo. Significa mostrar que aquela pessoa foi ouvida e que existe um adulto disposto a ajudá-la”, explica a psiquiatra.
Segundo Fabricia, diante de uma preocupação concreta, também é possível perguntar diretamente sobre pensamentos relacionados à morte ou ao desejo de não estar vivo.
“Perguntar diretamente não coloca uma ideia na cabeça da pessoa. Ao contrário, pode abrir uma oportunidade para que ela fale sobre algo que estava sendo vivido em silêncio. Se existe uma preocupação real, é importante não fugir da conversa por medo de tocar no assunto”, afirma.
As especialistas recomendam avaliação profissional quando as mudanças de comportamento são persistentes, intensas ou interferem significativamente na rotina da criança ou do adolescente.
“Procurar ajuda não significa que necessariamente exista um diagnóstico. A avaliação serve justamente para entender o que está acontecendo e identificar quais estratégias podem ajudar aquela criança ou adolescente”, afirma Silvia.
Já situações que envolvam falas recorrentes sobre morte, desesperança, autolesão ou indicação de risco imediato exigem atenção e busca de ajuda especializada.
“Prevenção não começa apenas quando existe uma crise. Ela começa na construção de vínculos, na possibilidade de falar sobre emoções e na percepção de que pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Pais e professores não precisam resolver tudo sozinhos, mas precisam saber reconhecer quando é hora de procurar ajuda”, afirma Fabricia.
Para Silvia, o Setembro Amarelo também pode ser uma oportunidade para levar o tema para dentro de casa.
“Não precisamos esperar uma situação grave para perguntar aos nossos filhos como eles estão. A saúde mental também é cuidada no cotidiano, quando existe escuta, vínculo e espaço para falar sobre aquilo que incomoda. Muitas vezes, o primeiro passo da prevenção é simplesmente perceber que alguma coisa mudou e se aproximar”, conclui.
Postado Pôr Antonio Brito