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domingo, 26 de julho de 2026

Coluna do Domingão: enquanto não houver parâmetros, juízes e promotores continuarão desmoralizados no TJPE

 

Nas redes sociais,  não foram poucos os que, indiretamente, ironizaram o promotor Thiago Barbosa Bernardo e o Juiz Gustavo Silva Hora,  pela tutela antecipada que derrubou suas decisões no caso do show de Wesley Safadão em Sertânia.

No TJPE,  o Desembargador Paulo Augusto de Freitas Oliveira ignorou a argumentação do MP seguidas pelo juiz de base, que apontou provas de que a cidade não têm condições de pagar R$ 1,3 milhão a um único artista. Que é absurdo pagar vultuosas cifras a um evento – a Prefeitura fala em R$ 2,5 milhões mas a festa custou em média R$ 6 milhões – enquanto há déficit fiscal, programas básicos negligenciados sob argumentação de falta de recursos,  dentre outras realidades incompatíveis com a despesa.

O desembargador alegou que não há comprovação plena, como se fosse possível sanar um rombo de R$ 13,4 milhões em sete meses e, sob alegação de risco gerado pelo cancelamento,  fechou questão e liberou Safadão na Expocose. Nenhuma novidade: o blog ja havia cantado a bola e dado a quase certeza da reviravolta. Nas redes, sobrou pro promotor que se desdobrou na defesa da lisura nos gastos no que é realmente importante e pro magistrado que seguiu o entendimento.

E será assim enquanto não houver parâmetros legais. Não se trata de Pollyana Abreu, ou de Sivaldo  Albino em Garanhuns,  Simão Durando em Petrolina. A discussão envolve gastos municipais em excesso com shows e é genérica.  Os exemplos apenas evidenciam a falta de bom senso. AMUPE, TCE e MPPE firmaram um teto que também serve de gozação.

Repito,  não é “ser contra festa”. Eventos como  Expocose, Festival de Inverno e outros que atraem investimentos e aquecimento da economia deveriam ter shows bancados pelo Estado e o Governo Federal com um fundo específico, sem sacrificar cofres municipais e com critérios.

Emendas parlamentares também não deveriam ir para esse fim. Ao contrário,  muitas hoje alimentam corrupção com a famosa “tabela do troco”.

Quanto aos investimentos dos municípios,  era fundamental critérios que escalonassem o teto de gastos. A conta poderia envolver IDH, percentual de saneamento,  de cobertura da educação e atenção básica.  Ou seja: o município está fazendo o dever de casa? Se sim, usa determinado percentual. Não? Outro percentual, e assim sucessivamente. Isso exige um amplo grupo de trabalho com especialistas que discutam o formato e a implementação.

Enquanto isso não mudar, promotores e juizes de primeira instância seguirão desmoralizados pela caneta dos desembargadores e se desistimularão a tentar dar decência ao gasto público.

Amor infinito

Flávio Marques, prefeito de Tabira, do PT, foi um dos destaques ao acompanhar a agenda de Raquel Lyra em Serra Talhada. “Andar com Raquel Lyra tem mostrado que estamos no caminho certo. Esse olhar para o interior do estado, a atenção com as pessoas, o carinho e respeito são só algumas das qualidades da nossa Governadora! Seja sempre bem-vinda no Pajeú, Raquel!” – escreveu em sua rede social.

Questão de honra

Em Serra Talhada, a governadora Raquel Lyra passou ontem pelo novo Complexo da Polícia Científica, pelo CEU da Cultura, pela nova creche e pela maternidade na Capital do Xaxado. “Obras que estão avançando e que representam mais dignidade, mais cuidado e mais qualidade de vida para toda a região”, disse. Raquel busca vencer no interior e tirar votos de João Campos na Metropolitana, mas aliados dizem que, depois do afastamento de Márcia Conrado, que foi para o palanque socialista, vencer em Serra virou questão de honra.

Quanto vale o show

Números disponibilizados pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio do Portal da Transparência, mostram que os gastos públicos com apresentações artísticas nos municípios pernambucanos ultrapassaram a marca de R$ 819 milhões entre 2024 e 2026.   Foram R$ 203,2 milhões em 2024, R$ 309,6 milhões em 2025 e R$ 306,1 milhões agora. Detalhe: o montante refere-se apenas aos cachês artísticos. Custos com infraestrutura, como palco, som, iluminação, decoração, fogos de artifício e publicidade, não estão incluídos nestes valores. Somando tudo, o valor passa fácil de R$ 1,5 bilhão.

Com Flávio e Milei

O Deputado Federal Mendonça Filho foi um dos que acompanharam o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, com direito a discurso de javier Milei e fala virtual de Bolsonaro. “Participei da Convenção Nacional do Partido Liberal, que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato do PL à Presidência da República. Um momento de união, força e esperança para todos que acreditam em um Brasil com mais liberdade, segurança e respeito aos nossos valores”, disse em sua rede social. Aproveitou e tirou uma foto com o presidente argentino.

Nem no Rock in Rio

Jornalistas tem brincado com as exigências para que veículos cubram a Festa de Agosto em Tupanatinga, listadas pela Secretaria de Comunicação: perfil com quantidade de seguidores, insights da sua principal rede social dos últimos 30 dias, prints de dois trabalhos, ventos ou campanhas já realizadas. Claro, a ideia é evitar penetras travestidos de jornalistas ou blogueiros. Por outro lado, veda quem está começando e quer cobrir a festa para ganhar engajamento. “Nem no Rock’n Rio”, brincou um profissional.

Ave, Maria!

Em Afogados, finalmente o prefeito Sandrinho Palmeira realizou um ato de campanha mais robusto com sua candidata a Estadual, Maria Arraes. Em um território tão minado,  com vários nomes em disputa pelo governo e oposição, não vender o peixe é um risco para quem, por gravidade e caneta, precisa fazer seu nome majoritário. Apesar disso, é a única que não cumpriu a regra de que, para falar ao povo, precisa ir presencialmente à Rádio Pajeú, como já fizeram todos os seus adversários.

O estrago que uma fala desastrosa faz

A fala baixo nível do ex-vereador Antonio Andrade esculhambando o prefeito Fredson Brito a uma semana abafou a noticia da entrega de um trator, ação dos Deputados Lucas Ramos e Diogo Moraes, para a comunidade rural do Olho D’água da Conceição. A entrega teve assinatura local de nomes como Evandro Valadares, o próprio Antônio Andrade, do vereador Damião e de Paulinho Jucá, mas foi totalmente abafada pela repercussão negativa  da fala de Antonio do Milhão.

Farra

Em Garanhuns,  na noite das apresentações dos cantores Ferrugem e Belo no FIG o clima era de campanha eleitoral com dinheiro público. Ferrugem e Belo interagiram em diversos momentos com o Prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino, e com os deputados Felipe Carreras e Cayo Albino, todos do PSB. Rasgaram o princípio da impessoalidade e a recomendação do MP.

A semana das pesquisas

Nesta segunda (27), dez da manhã, o blog divulga em parceria com o instituto Múltipla mais uma pesquisa com a intenção de voto para o Governo de Pernambuco. A pesquisa tem o número de identificação PE – 00028/2026. O trabalho de campo termina hoje. São 900 entrevistas, com margem de erro de 3,3% para mais ou para menos. A pesquisa abre uma semana movimentada. Além do Múltipla,  outros institutos registraram pesquisas para esta semana,  como Quaest (28/7),  Ipespe (28/7), Datafolha (31/7) e Real Time Big Data (31/7).

Frase da semana:

Eu não tenho medo da Inteligência Artificial. Eu tenho medo da desinteligência natural”.

Da Ministra do STF, Carmen Lúcia, na Festa Literária de parati, FLIP. No evento ela voltou a defender a lisura da urna eletrônica. “Sou servidora pública e fui duas vezes presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Tenho certeza da higidez e da segurança da urna eletrônica. (…) Não acredito que alguém em sã consciência tenha dúvidas sobre sua segurança”, afirmou.

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sábado, 25 de julho de 2026

Prefeitura de Tabira entrega novo ônibus escolar e autoriza cadastramento do Pix Tênis

 

A Prefeitura de Tabira realizou, nesta sexta-feira (24), mais uma edição do Sextou com Entrega, reafirmando o compromisso da gestão com o fortalecimento da educação municipal.

Durante o evento, foi entregue um novo ônibus escolar com capacidade para 59 passageiros, oferecendo mais conforto, segurança e melhores condições de transporte para os estudantes da rede pública de ensino.

O veículo foi adquirido por meio de uma parceria entre o Governo Federal e a Prefeitura de Tabira. Parte dos recursos foi destinada pelo Governo Federal e parte corresponde ao investimento realizado com recursos próprios do município, ampliando a estrutura do transporte escolar e garantindo mais qualidade no deslocamento dos alunos.

Na ocasião, o prefeito Flávio Marques também autorizou a abertura do cadastramento do Pix Tênis, programa de incentivo voltado aos estudantes da rede municipal.

A iniciativa contará com um investimento de R$ 520 mil, realizado com recursos próprios da Secretaria Municipal de Educação. Por meio do programa, cada aluno beneficiado receberá R$ 120,00 para a aquisição do tênis escolar, contribuindo para apoiar as famílias e incentivar a permanência dos estudantes na escola.

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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Cresce quase 50% o número de eleitores com deficiência e de seções com acessibilidade em 2026

 Cresce quase 50% o número de eleitores com deficiência e de seções com acessibilidade em 2026

De acordo com o TSE, para acompanhar o aumento do eleitorado, a Justiça Eleitoral ampliou a estrutura destinada a garantir o voto com autonomia e segurança

As Eleições 2026 contarão com o maior número de eleitoras e eleitores com deficiência já registrado pela Justiça Eleitoral. Dados do perfil do eleitorado divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira (20) mostram que 1.963.551 pessoas com deficiência estão aptas a votar no pleito deste ano, um crescimento de 42,5% em relação às Eleições Gerais de 2022, quando esse público somava 1.377.787 eleitores

Para acompanhar esse aumento, a Justiça Eleitoral ampliou a estrutura destinada a garantir o exercício do voto com autonomia e segurança. O número de seções eleitorais principais com acessibilidade passou de 156.296, em 2022, para 223.587 em 2026, um crescimento de 43%. 

A ampliação das seções acessíveis faz parte das ações permanentes da Justiça Eleitoral para promover a inclusão e assegurar que eleitoras e eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida possam exercer plenamente o direito ao voto. 

Perfil do eleitorado com deficiência 

Entre as pessoas com deficiência aptas a votar nas Eleições 2026, o maior grupo é formado por eleitoras e eleitores classificados na categoria “Outros”, que reúne 994.472 pessoas, correspondendo a 45,46% do total. 

Na sequência aparecem: 

  • Deficiência de locomoção: 617.996 eleitoras e eleitores (28,31%); 
  • Deficiência visual: 319.489 (14,61%); 
  • Deficiência auditiva: 182.341 (8,32%); 
  • Dificuldade para o exercício do voto: 64.851 (2,97%). 

Em comparação com 2022, todos os principais grupos, com exceção da categoria “dificuldade para o exercício do voto”, registraram crescimento. O número de eleitoras e eleitores com deficiência visual, por exemplo, passou de 214.088 para 319.489, aumento de aproximadamente 49%. Já o eleitorado com deficiência auditiva cresceu de 118.213 para 182.341, alta de cerca de 54%, enquanto as pessoas com deficiência de locomoção passaram de 488.475 para 617.996, crescimento de 26,5%. 

Mais acessibilidade no dia da votação 

Além da expansão das seções acessíveis, a Justiça Eleitoral disponibiliza uma série de recursos para garantir maior autonomia às pessoas com deficiência durante a votação. A urna eletrônica conta com sistema de áudio para pessoas com deficiência visual, teclado em braile, identificação tátil nas teclas e compatibilidade com tecnologias assistivas.

No momento do atendimento eleitoral, a eleitora ou o eleitor também pode informar eventual deficiência ou necessidade específica, permitindo que a Justiça Eleitoral organize a infraestrutura necessária para oferecer melhores condições de acesso no dia da eleição. 

Essas medidas reforçam o compromisso da Justiça Eleitoral com a inclusão e com a garantia do direito ao voto de todas as cidadãs e de todos os cidadãos, tornando as Eleições 2026 as mais acessíveis da história do país. 

Gestão dos espaços 

A Justiça Eleitoral mantém o registro consolidado dos locais de votação que dispõem de pelo menos uma seção eleitoral com acessibilidade. Contudo, a gestão física, estrutural e predial desses imóveis — em sua maioria pertencentes a redes de ensino públicas ou parceiros privados — não compete diretamente à Justiça Eleitoral.  

Em razão disso, as condições de acessibilidade nas seções são dinâmicas: reformas ou alterações estruturais promovidas pelos proprietários dos imóveis podem tanto conferir acessibilidade a novas seções quanto comprometer estruturas antes consideradas acessíveis. 

Os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e suas respectivas zonas eleitorais realizam vistorias periódicas para atualizar o diagnóstico detalhado de cada localidade. 

No momento da votação, mesmo que não tiver sido feito nenhum requerimento, eleitoras e eleitores ainda podem informar à mesária ou ao mesário que suas condições demandam acessibilidade. A Justiça Eleitoral providenciará possíveis soluções. 

Também é possível contar com a ajuda de alguém de confiança, desde que a presença de acompanhante seja imprescindível para a votação e a pessoa escolhida não esteja a serviço da Justiça Eleitoral, de partido político ou de coligação. Caso seja autorizada a entrada pela mesária ou pelo mesário presidente da mesa receptora de votos, tal pessoa poderá entrar na cabine e digitar os números na urna eletrônica. 

FONTE: Comunicação Social do TSE – Tribunal Superior Eleitoral

CRÉDITO/IMAGEM: Seção acessível para eleitores com deficiência. Foto: Antonio Augusto/TSE

Fonte https://diariopcd.com.br/cresce-quase-50-o-numero-de-eleitores-com-deficiencia-e-de-secoes-com-acessibilidade-em-2026/

Postado Pôr Antônio Brito 

 

Discriminar pessoa com deficiência é crime desde 2015: por que tão poucos são condenados por isso

 Discriminar pessoa com deficiência é crime desde 2015: por que tão poucos são condenados por isso - OPINIÃO - * Por Igor Lima

OPINIÃO

  • * Por Igor Lima

Por que o artigo 88 da Lei Brasileira de Inclusão existe, mas raramente pune alguém

Desde 2015, discriminar uma pessoa por causa de sua deficiência é crime no Brasil. O artigo 88 da Lei Brasileira de Inclusão prevê reclusão de um a três anos, e multa, para quem pratica, induz ou incita esse tipo de discriminação. Se o ato ocorrer por meio de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, a pena sobe para dois a cinco anos. É um tipo penal específico, criado justamente porque, antes da lei, não existia crime autônomo para esse tipo de conduta no Brasil, e episódios de discriminação precisavam ser encaixados, com dificuldade, em crimes genéricos como injúria ou difamação.

Não existe, até onde consegui confirmar, uma estatística nacional pública que diga quantas condenações esse artigo já gerou desde 2015. Isso já é revelador por si só: um crime específico, criado há quase dez anos, sem número oficial de aplicação amplamente divulgado. Mas a jurisprudência disponível mostra um padrão consistente que ajuda a entender por quê esse tipo penal enfrenta tanta dificuldade para se traduzir em condenação.

O obstáculo que aparece repetidamente nos julgados

Em uma apelação criminal julgada por um tribunal estadual, o Ministério Público recorreu contra a absolvição de uma pessoa acusada de incitar discriminação contra pessoas com deficiência por meio de uma publicação em rede social. O tribunal manteve a absolvição, e o fundamento é revelador: o crime do artigo 88 exige comprovação inequívoca do dolo específico, ou seja, a vontade consciente e deliberada de discriminar em razão da deficiência. A mera repercussão negativa de uma publicação, mesmo que ofensiva, não basta. Diante de dúvida razoável sobre a real intenção de quem publicou, prevaleceu o princípio constitucional do in dubio pro reo.

Esse não é um caso isolado. Em outro processo, envolvendo a publicação de uma piada em um show de stand-up comedy no Instagram, a controvérsia girou em torno da competência para julgar o caso, mas o pano de fundo era o mesmo: humor, ironia e ambiguidade de contexto tornam extremamente difícil provar, além de dúvida razoável, que havia intenção deliberada de discriminar.

Em contraste, há também casos de condenação, mas eles tendem a envolver situações em que a discriminação foi explícita e direta, sem ambiguidade possível. Um tribunal condenou uma mulher pela prática do crime do artigo 88 combinado com injúria, depois que ela ofendeu diretamente uma aluna com deficiência intelectual, além de servidores públicos, em um contexto em que a autoria e o dolo discriminatório ficaram comprovados por boletim de ocorrência, depoimentos e prova oral direta.

O padrão que emerge dessas decisões é claro: quando a discriminação é textual, direta e sem espaço para outra interpretação, a condenação acontece. Quando ela é sutil, ambígua, ou embutida em humor, ironia ou comentário genérico, o crime praticamente se torna impossível de provar.

Uma fragilidade estrutural, não só probatória

Existe ainda um segundo problema, de natureza processual, apontado por comentaristas do próprio Estatuto da Pessoa com Deficiência. Como a pena mínima do artigo 88, em sua forma simples, não ultrapassa um ano, o crime admite suspensão condicional do processo, prevista no artigo 89 da Lei nº 9.099/95. Na prática, isso significa que, mesmo quando o Ministério Público consegue oferecer denúncia, o processo pode ser suspenso mediante certas condições, sem necessariamente chegar a uma condenação formal e a uma pena efetivamente cumprida.

Some-se a isso outro fator técnico: juristas que comentam o dispositivo apontam que a relação entre o artigo 88 da LBI e os crimes específicos previstos na Lei nº 7.853/89 (lei anterior, de apoio à pessoa com deficiência) é de gênero e espécie. Isso quer dizer que, antes de aplicar o artigo 88, o operador do direito precisa verificar se a conduta já não se encaixa em um dos tipos mais específicos da lei de 1989, o que adiciona uma camada extra de complexidade técnica à já difícil tarefa de provar o dolo discriminatório.

Por que ter a lei não é o mesmo que ela funcionar

O que esse conjunto de decisões e comentários jurídicos revela é uma distância entre a existência formal do crime e sua efetividade prática. O artigo 88 nasceu de um objetivo claro, declarado pela própria doutrina penal: tutelar a dignidade da pessoa com deficiência e dar resposta penal a condutas que, antes, ficavam impunes ou mal enquadradas em outros tipos penais. Mas um crime que exige prova de intenção específica, que compete com um regime de suspensão condicional que dispensa condenação formal, e que só se aplica com clareza em casos de discriminação explícita e sem ambiguidade, acaba deixando de fora justamente a forma mais comum de discriminação capacitista: aquela que se disfarça de brincadeira, de opinião, ou de comentário “sem querer ofender”.

Talvez o problema mais honesto a reconhecer seja este: criar um tipo penal específico foi um avanço simbólico e jurídico importante. Mas a experiência de quase dez anos de aplicação sugere que a lei, sozinha, não resolve o problema que pretendia enfrentar. Ela deu nome ao crime. Não deu, na mesma medida, instrumentos para prová-lo.

 

  • * Igor Lima é advogado (OAB/RJ), especialista em Direitos Humanos e sustentabilidade, e pessoa com deficiência. Coordenador da coletânea jurídica “Deficiência e os Desafios para uma Sociedade Inclusiva”, citada no STJ, TST, STF e presente em instituições como Harvard e Universidade de Coimbra. Autor de artigos publicados em espaços como ABDConst, Future Law e revistas jurídicas nacionais, atua como palestrante em instituições como UERJ, UFRJ, UFF, OAB/RJ e MPRJ. Dedica-se à pesquisa e defesa dos direitos das pessoas com deficiência, com experiência em inclusão, políticas públicas e ESG.   
  • Linkedin:https://www.linkedin.com/in/igor-lima-pcd-404321198/
  • Instagram: https://www.instagram.com/igor_lima_adv/

 

Fonte

https://diariopcd.com.br/discriminar-pessoa-com-deficiencia-e-crime-desde-2015-por-que-tao-poucos-sao-condenados-por-isso/

 

Postado Pôr Antônio Brito 

 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Fredson assina termo para receber Agência do Trabalho que vai ampliar oportunidades para emprego e empreendedorismo

 

Prefeito Fredson assina termo para receber Agência do Trabalho que vai ampliar oportunidades para emprego e empreendedorismo

São José do Egito passou a contar com uma Agência do Trabalho de Pequeno Porte, fruto da parceria entre a Prefeitura Municipal e o Governo de Pernambuco. O novo equipamento fortalece as políticas públicas de geração de emprego, qualificação profissional e apoio ao empreendedorismo.

A princípio, a Agência do Trabalho funcionará nas dependências do Centro de Inclusão Digital, onde também está instalada a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, facilitando o acesso da população aos serviços.

Durante a solenidade, também foi firmado o Termo de Cooperação entre a Prefeitura, a Secretaria de Desenvolvimento Profissional e Empreendedorismo de Pernambuco (SEDEPE) e a Agência de Empreendedorismo de Pernambuco (AGE), ampliando as ações voltadas aos empreendedores, às agroindústrias e à agricultura familiar.

O prefeito Fredson Brito destacou a importância da conquista. “Receber essa Agência do Trabalho representa mais uma grande conquista para São José do Egito. Essa parceria com a governadora Raquel Lyra tem rendido importantes resultados para nossa população, aproximando oportunidades de emprego, qualificação profissional e fortalecimento da nossa economia.”, afirmou.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Pedro Lira, ressaltou que o novo equipamento amplia a oferta de serviços para trabalhadores e empreendedores. “A Agência do Trabalho chega para fortalecer o desenvolvimento econômico do município, oferecendo mais oportunidades para quem busca uma vaga no mercado, qualificação profissional e apoio ao empreendedorismo. É mais um importante serviço colocado à disposição da população.”, destacou.

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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Diagnóstico de TEA em crianças crescem entre 6% e 10% ao ano em diversos países, aponta relatório da OECD

 Diagnóstico de TEA em crianças crescem entre 6% e 10% ao ano em diversos países, aponta relatório da OECD

Especialista em Alfabetização de Educandos com Deficiência pela UFSCar e MBA em Gestão Escolar pela USP, Carla Costa explica que a procura por acompanhamento psicopedagógico geralmente ocorre quando surgem sinais de dificuldades na aprendizagem, na autonomia, na participação escolar ou no comportamento infantil.

A média anual de crianças diagnosticadas com o ‘Transtorno do Espectro Autista’ (TEA) vem sendo acompanhada por autoridades internacionais. Segundo o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), os índices de TEA em crianças registraram um crescimento médio anual de 6% a 10%, em diferentes países da Europa, América e Oriente Médio. 

Ainda de acordo com o relatório “Policy Responses to Rising Autism Diagnoses in Childhood”, da OECD, o número de crianças e jovens diagnosticados com TEA aumentou de duas a quatro vezes em onze países, durante um período de 15 anos. 

Esse diagnóstico é frequentemente percebido pelos pais ou irmãos, que notam os primeiros sinais em 56% dos casos, segundo o Mapa Autismo Brasil (2026). A partir desse reconhecimento, muitas famílias iniciam um processo de compreensão das necessidades da criança, buscando apoio de profissionais da saúde e da educação para promover sua participação, autonomia, aprendizagem e qualidade de vida nos diferentes contextos em que está inserida. 

Segundo a psicopedagoga e orientadora parental com mais de uma década de atuação na área da educação, Carla Costa, as famílias começam a buscar acompanhamento psicopedagógico quando notam sinais de interferência na aprendizagem, autonomia, comportamento ou participação da criança em diferentes ambientes. “No caso de muitas crianças autistas, além das características centrais do TEA, também podem estar presentes desafios relacionados às funções executivas, como manter a atenção, organizar tarefas, seguir rotinas, planejar ações, monitorar o próprio comportamento e lidar com mudanças ou frustrações. Essas dificuldades costumam impactar diretamente a participação escolar e a vida cotidiana”, explica. 

Embora o quadro de TEA seja evidenciado logo na primeira infância, com 51% dos casos registrados entre crianças de 0 a 4 anos, é necessário acompanhamento ao longo das etapas de desenvolvimento. Para se ter uma noção, ainda segundo o Mapa Autismo Brasil, cerca de 28% das crianças com TEA completam a educação infantil; 14% o ensino fundamental I; 4% o ensino fundamental II; e 2,8% completam o ensino médio. 

“Inclusão não significa apenas garantir a matrícula do estudante na escola regular, mas assegurar sua participação efetiva, sua aprendizagem e seu pertencimento ao ambiente escolar. Na prática, muitos profissionais da educação desejam promover uma inclusão de qualidade, mas enfrentam dificuldades relacionadas à formação contínua, ao acesso a estratégias pedagógicas adequadas e ao suporte técnico para lidar com a diversidade presente nas salas de aula. A inclusão exige conhecimento sobre desenvolvimento infantil, aprendizagem, adaptações pedagógicas, acessibilidade e diferentes formas de participação dos estudantes. Ainda existe a expectativa de que a criança precise se adaptar ao modelo já existente, quando, na realidade, é a escola que deve estar preparada para acolher diferentes formas de aprender, comunicar-se, interagir e participar”, reforça a especialista. 

Especializada na “Alfabetização de Educandos com Deficiência” pela UFSCar, com MBA em Gestão Escolar pela USP, Carla explica que todo processo começa com uma escuta cuidadosa da realidade familiar, desde a dinâmica com os pais até as características da criança e o contexto em que ela está inserida. A partir daí, é possível traçar rotinas saudáveis que funcionam como uma estrutura organizadora, auxiliando a criança a desenvolver autonomia, responsabilidade e autorregulação. 

“É por meio da repetição das experiências cotidianas, logo na primeira infância, que a criança aprende a reconhecer padrões, compreender expectativas, criar hábitos e desenvolver habilidades importantes para a vida, que vão auxiliar a caminhada junto aos pais nas circunstâncias futuras: escolaridade, trabalho e qualidade de vida. Fato é que o Brasil e o mundo ainda estão muito aquém na sua caminhada de inclusão para crianças e adolescentes diagnosticados com TEA, e é aí que entra a psicopedagogia, no papel de compreender como cada pessoa aprende e identificar os fatores que podem estar favorecendo ou dificultando esse processo. Dessa forma, podemos melhorar a qualidade de vida dos pequenos”, conclui Carla

Fonte https://diariopcd.com.br/diagnostico-de-tea-em-criancas-crescem-entre-6-e-10-ao-ano-em-diversos-paises-aponta-relatorio-da-oecd/

Postado Pôr Antônio Brito 

domingo, 19 de julho de 2026

Prefeitura de Tabira entrega mais uma rua pavimentada e assina Ordem de Serviço para Academia da Saúde

 

Na noite desta sexta-feira (17), a Prefeitura de Tabira realizou mais uma edição do Sextou com Inauguração, marcada pela entrega da pavimentação da Rua João Salvino Liberal, importante via de ligação entre os bairros Granja e Barreiros I. A obra atende a um antigo desejo da população e garante melhores condições de acesso para quem vive e circula pela localidade.

Na ocasião, o prefeito Flávio Marques também assinou a Ordem de Serviço para a construção da Academia da Saúde Neci Marques do Amaral, que será implantada na mesma rua.

A Academia da Saúde leva o nome da avó do prefeito, falecida em 2024, aos 94 anos. Muito querida pelos tabirenses, Dona Neci foi exemplo de alegria e disposição. Integrante do Grupo Renascer da Terceira Idade, manteve o hábito de dançar forró até os últimos anos de vida. A homenagem traduz a proposta do equipamento público: incentivar hábitos saudáveis, a prática de atividades físicas e a promoção da qualidade de vida.

Um dos momentos mais marcantes da solenidade foi a reprodução de um áudio gravado por Dona Neci, em 2020, no qual ela expressava o sonho de ver o neto se tornar prefeito de Tabira para melhorar a vida das pessoas. A homenagem emocionou familiares e o público presente.

A pavimentação da Rua João Salvino Liberal recebeu investimento de R$ 448.158,97. Já a construção da Academia da Saúde Neci Marques do Amaral contará com investimento de R$ 197.638,70, totalizando mais de R$ 645 mil em recursos próprios do Município.

Com mais uma obra entregue e a construção de um novo equipamento público autorizada, a Prefeitura de Tabira reafirma o compromisso de seguir investindo em infraestrutura, saúde e qualidade de vida para a população.

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