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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Coluna do Domingão: a chave da eleição está na Região Metropolitana

 

A decisão da governadora Raquel Lyra de focar a reta final da campanha na Região Metropolitana, externada ontem, mais os movimentos que a campanha de João Campos projeta pros últimos dias prova o pragmatismo em uma disputa tão acirrada. O foco nos últimos dias vai mirar a Região Metropolitana do Recife.

E não é por acaso: os dados do TSE confirmam a concentração de eleitores na Região Metropolitana do Recife (RMR). Dos 7.225.744 pernambucanos aptos a votar, 3.016.723 estão distribuídos entre os 14 municípios que compõem a região, o equivalente a 41,7% do eleitorado estadual.

As demais regiões do estado somam 1.850.967 eleitores no Agreste, 1.326.448, no Sertão e 1.031.606, na Zona da Mata, demonstrando a forte concentração populacional e eleitoral na RMR.

Recife permanece como o maior colégio eleitoral de Pernambuco, com 1.228.592 eleitoras e eleitores aptos a votar nas Eleições 2026. Em seguida aparecem Jaboatão dos Guararapes (498.144) e Olinda (301.743).

A concentração de votos na região explica o óbvio: focar nos 14 municípios da região melhora a logística,  concentra as energias de campanha e o mais decisivo: resolve a eleição.

Foi a movimentação política no grande Recife que moldou essa eleição até agora. Quando João liderava, o fazia por conta da força que tinha na Metropolitana. Quando Raquel virou, isso só foi possível porque ela reduziu a diferença na Metropolitana.

Com base nas últimas pesquisas, Raquel ganha no Agreste e Zona da Mata. Há um empate técnico no sertão. Mas perde na Metropolitana. A Múltipla de 27 de agosto deu 51% a 32% pró João. Por isso a vantagem de Raquel não aumentou a ponto de dar tranquilidade na reta final. A movimentação de João nas últimas Quaest e Datafolha provaram isso.

A leitura objetiva é: se Raquel equilibrar mais na Metropolitana,  consegue deslanchar e liquida a fatura. Se João recuperar parte do terreno que perdeu,  pode chegar à revirada no momento mais importante da campanha.

Pega a chave do Palácio do Campo das Princesas quem melhorar seu desempenho na Região Metropolitana.  É lá que mora o segredo do sucesso,  ou do fracasso dessa eleição.

Menor

O menor eleitorado do estado é o do Distrito Estadual de Fernando de Noronha, com 3.701 eleitores aptos. Vinculado à 4ª Zona Eleitoral, sediada no Recife, o arquipélago possui uma particularidade: além de participar das Eleições Gerais, os moradores também elegem este ano os integrantes do Conselho Distrital, totalizando sete votos.

Menores

Na outra extremidade estão municípios com reduzido número de eleitores. Quixaba com 6.231 votantes, seguida pelos municípios de Solidão (5.556), Itacuruba (4.774) e Ingazeira (4.256), todos localizados no Sertão.

Contraste

Os dados do TSE também mostram que 105 dos 184 municípios pernambucanos possuem menos de 20 mil eleitores, evidenciando o contraste entre a concentração do eleitorado na Região Metropolitana e a realidade da maioria das cidades do estado.

Prepara a pipoca

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou que vai transmitir ao vivo a sessão plenária marcada para terça-feira (15/09), 10 horas, dedicada exclusivamente à análise do relatório da Polícia Federal com mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao minsitro Alexandre de Moraes. Fachin tirou a relatoria de André Mendonça sobre o caso.

Vencedor

O debate da Cidade FM de Caruaru,  retransmitido por um pool de emissoras do litoral ao sertão teve um vencedor: o Rádio.  O evento pautou Pernambuco e o país. Mais uma prova de que o veículo bem gerido e bem cuidado,  segue imbatível.

Votar na raposa e na galinha 

Um dos cortes da semana foi da declaração de Pedro Campos (PSB) a Juliana Lima sobre o apoio de sete vereadores da Frente Popular a Mendonça Filho,  estando alinhados a João e Lula. “Os vereadores da Frente Popular de Pernambuco são Marília Arraes e Humberto Costa. São eles que percorrem o estado ao lado de João Campos e Lula. Também são os candidatos do presidente Lula,  que só tem dois nomes nessa eleição. Então,  esses são os senadores de Lula, os senadores de João e os meus senadores também”.

Margem ou curva ?

Aliados de João Campos ficaram empolgados principalmente com o resultado da pesquisa Datafolha,  reduzindo a 5% a vantagem pró Raquel,  somada ao sinal apontado pela Quest. Os estatísticos tratam essa variação como “estável dentro da margem de erro”. Se a próxima pesquisa desses institutos der nova redução da vantagem,  aí o sinal é se curva. Se mantida ou com aumento,  Raquel celebra.

Lá vem pesquisa Múltipla

O blog contratou mais uma pesquisa junto ao Instituto Múltipla,  com registro PE-07035/2026.  Com 900 entrevistados, afere os números para o governo de Pernambuco e para o Senado. A divulgação ocorre na terça-feira,  dia 15.

Guerra jurídica

O TRE manteve o material da campanha de João Campos (PSB) que questiona o salário da governadora Raquel Lyra (PSD), o acusando de ser quase três vezes o permitido para quem governa Pernambuco. Dizem que Raquel deveria ganhar os R$ 22 mil previstos para o cargo. Mas logo ao assumir o governo, ela criou e sancionou uma lei que lhe permite receber os R$ 60 mil a que teria direito como procuradora concursada do Estado. “O salário deveria ser o do mandato com.base na constituição”, acusam.

Resposta

Na sua rede social,  Raquel se posicionou sobre o questionamento: disse que foi advogada concursada do BNB, Delegada da PF, e é procuradora concursada do Estado. “Raquel nunca furou fila”, cutucou. “Raquel escolheu o salário de procuradora concursada e abriu mão do salário de governadora. Tudo dentro da lei, sem ultrapassar o teto”, garante. Também mostrou a declaração de bens à Justiça Eleitoral,  pela crítica de que declarou R$ 1 na conta: R$ 359.498,33. Ao final,  chama João de “imaturo” e que fará campanha sem desespero.

Xadrez

No primeiro evento depois do afastamento entre Zé Negão e Danilo Simões,  a governadora Raquel Lyra manteve o modus operandi e foi recepcionada pelo candidato a Federal.  Já Zé Negão disse à Rádio Pajeú que trabalhou tanto na organização da vinda de Raquel que não teria fôlego para estar no dia seguinte no Debate das Dez. “Esse evento tá muita coisa nas minhas costas”, disse à produção.

Embate

Segunda, o Debate das Dez reúne nomes que integram os palanques de Raquel Lyra e João Campos: Adelmo Moura, do bloco socialista e Edson Henrique,  aliado da governadora.  No último encontro, foram elogiados pela civilidade. A conferir amanhã.

Zeca é Luquel

O prefeito de Arcoverde,  Zeca Cavalcanti,  abriu o voto para presidente: participa neste domingo da caminhada de Lula, organizada pelo PT e movimentos sociais para este 13 de setembro.

São José também tem

A caminhada vai ocorrer em várias cidades. Em São José do Egito,  o grupo liderado pelo vereador e presidente da Câmara,  Romerinho Dantas,  também fará movimentação com a presença do candidato a Estadual Breno Araújo.

Desafio

O deputado estadual Luciano Duque (Podemos) esteve no programa Pajeú nas Eleições e desafiou a prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado para um debate. O mote, quer provar que há corrupção no governo cara a cara com a gestora. Márcia têm ignorado os questionamentos da oposição e têm dito que Serra Talhada  “vive o melhor momento de sua história”.

Sem incitação 

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinou a suspensão imediata da página @raquel_bolada por sete dias, e a remoção de uma publicação sugerindo aos seguidores para que recepcionassem com ovos a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD). A ação foi apresentada pela Coligação Pernambuco de Coração. O desembargador eleitoral, Luiz Gustavo Mendonça, entendeu que houve “utilização da propaganda eleitoral para estimular comportamento fisicamente hostil contra candidato”.

Albérico defende eleição de João e Maria em Iguaracy 

Ex-prefeito Albérico Rocha, o vereador Rômulo Lopes e o grupo Rapa do Tacho lideraram adesivaço e carreata para Maria Arraes e João Campos em Jabitacá. A mobilização reuniu lideranças locais na praça principal do distrito, como Diogo, Black, Sirleide, Lilita, o ex-vereador João Amaral, Dona Lúcia, Lila, e o ex-vereador Romero de Lucas. Rocha conta com as eleições de João e Maria pensando em 2028.

Frase da semana:

“Espero que ela do dia 15 pra frente diga, faça como eu, Mainha, e vote nos dois“.

De Sebastião Oliveira,  presidente do AVANTE, sobre Raquel Lyra ter condições de puxar Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha para desencalharem nas pesquisas.

sábado, 12 de setembro de 2026

Candidatos ao Governo de SP são convidados para apresentar propostas para pessoas com deficiência

 Candidatos ao Governo de SP são convidados pelo Diário PcD a apresentar propostas para pessoas com deficiência

Convites foram encaminhados para as Assessorias e entregues fisicamente nesta sexta-feira (11). Iniciativa faz parte do projeto Eleições Inclusivas 2026 e busca colocar as políticas para pessoas com deficiência no centro do debate eleitoral

Os candidatos ao Governo do Estado de São Paulo nas eleições de 2026 foram convidados pelo Diário PcD a apresentar diretamente ao eleitorado suas propostas para as pessoas com deficiência a partir de 2027.

Os convites para as entrevistas foram enviados em 2 e 7 de setembro para os emails das assessorias, lideranças partidárias e diretórios estaduais. Já nesta sexta-feira, 11, a informação foi protocolada no Comitê Central de Tarcísio de Freitas – na Avenida Brasil, 1299 e na Rua Riachuelo 70 para Fernando Haddad.

A iniciativa integra o projeto “Eleições Inclusivas 2026 – Democracia para todos. Direitos para cada um”, criado para ampliar o espaço de discussão sobre acessibilidade, direitos e políticas públicas para as pessoas com deficiência durante o processo eleitoral.

O que os candidatos podem responder?

A proposta é que cada candidatura disponha de 25 minutos para apresentar suas posições e propostas para as pessoas com deficiência, garantindo tratamento jornalístico isonômico entre os participantes.

As entrevistas deverão abordar questões diretamente relacionadas à vida de milhões de paulistas com deficiência e suas famílias.

Entre os temas previstos estão:

  • Saúde, reabilitação e atendimento especializado;
  • Educação inclusiva e apoio às famílias;
  • Emprego, qualificação profissional e geração de renda;
  • Acessibilidade e mobilidade;
  • Tecnologia assistiva;
  • Políticas destinadas às pessoas autistas e às demais deficiências;
  • Manutenção e eventual ampliação dos benefícios e programas existentes no Estado;
  • Isenção de IPVA para pessoas com deficiência;
  • Impactos da Reforma Tributária sobre questões relacionadas à aquisição de veículos;
  • Funcionamento, estrutura e atuação do IMESC nos processos relacionados aos laudos para isenção de IPVA;
  • Implementação da avaliação biopsicossocial unificada e seus possíveis impactos nas políticas estaduais;
  • Orçamento, metas e prioridades para a área da deficiência durante o próximo mandato.

Eleitor PcD precisa conhecer as propostas

Para o Diário PcD, colocar esses temas no debate eleitoral é fundamental para que o eleitor possa tomar uma decisão consciente e informada.

A proposta não é realizar uma sabatina sobre assuntos genéricos. O objetivo é permitir que cada candidato explique o que pretende fazer, caso eleito ou reeleito, para ampliar, manter ou aperfeiçoar as políticas públicas destinadas às pessoas com deficiência no Estado de São Paulo.

Isso inclui uma questão particularmente importante: quais serão as prioridades do próximo governo para a população com deficiência e quanto será destinado para colocá-las em prática?

Tratamento igual para as candidaturas

O Diário PcD ressalta que o convite tem caráter exclusivamente jornalístico.

A iniciativa não solicita apoio, posicionamento ou qualquer compromisso político das candidaturas. O objetivo é abrir espaço para que os próprios candidatos apresentem suas propostas diretamente ao público.

A participação de cada candidatura será registrada e divulgada de acordo com os critérios editoriais do veículo, respeitando os princípios de independência jornalística, isonomia e pluralidade.

A iniciativa também retoma uma experiência realizada pelo Diário PcD nas eleições de 2022, quando o veículo promoveu entrevistas com candidatos para discutir propostas relacionadas às pessoas com deficiência.

As entrevistas serão transmitidas pelos canais do Diário PcD no YouTube e Instagram.

Para as candidaturas, foram oferecidas diferentes opções de agenda, justamente para facilitar a participação.

Mais do que saber quem pretende governar São Paulo, o eleitorado PcD precisa saber o que cada candidato pretende fazer quando chegar ao Palácio dos Bandeirantes.

Quais políticas serão mantidas?
Quais serão ampliadas?
Quais serão criadas?
Quanto será investido?
Quais serão as metas?
E, principalmente, como as propostas sairão do papel?

Essas são algumas das respostas que o Diário PcD pretende levar ao eleitorado.

Fonte https://diariopcd.com.br/candidatos-ao-governo-de-sp-sao-convidados-para-apresentar-propostas-para-pessoas-com-deficiencia/

Postado Pôr Antonio Brito 

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

ESPANHA TEM DEPUTADA COM SÍNDROME DE DOWN

  Mar Galcerán é apresentada como a primeira pessoa com síndrome de Down a ocupar um assento no parlamento espanhol. Com décadas de atuação pública, ela pretende continuar sua trajetória política.

ESPANHA TEM DEPUTADA COM SÍNDROME DE DOWN

Mar Galcerán, é deputada do Partido Popular na Espanha. Ela é a primeira pessoa com síndrome de Down a ocupar um assento no parlamento espanhol.

Nos últimos tempos, ela ocupou inúmeras capas e manchetes em vários países do mundo.

Galcerán, 46 anos, é integrante das Cortes desde setembro do ano passado e ocupa um dos 99 lugares do legislativo em seu país.

Ela começou na política na década de 1990, com apenas 20 anos. Nas décadas de 1990 e 2000 atuou ocupando cargos em ministérios valencianos e órgãos público. Foram 26 anos de atuação na vida pública antes de ser eleita deputada.

Com toda esta carreira e experiência, Galcerán olha agora para o futuro. É verdade que ela ainda não atua como deputada há muito tempo, mas isso não a impede de ter clareza sobre seus objetivos. Ela já vislumbra um novo mandato de mais 4 anos.

Ela sem dúvida é um exemplo para as pessoas com Sindrome de Down em todo o mundo.

Fonte https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=26b70cff-2b84-4fb3-9348-b8d803b6a0fe

Postado Pôr Antonio Brito 

Quaest: Raquel Lyra tem 43%, João Campos 37% e Ivan Moraes tem 1% na disputa pelo Governo de Pernambuco

 

Diferença entre os dois principais candidatos caiu de oito para seis pontos em relação à rodada de 25 de agosto.

Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (8) mostra a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) com 43% das intenções de voto para o Governo de Pernambuco. João Campos (PSB) aparece com 37%.

Na pesquisa anterior, divulgada em 25 de agosto, Raquel tinha 44% e João, 36%. Assim, a governadora oscilou um ponto para baixo e o candidato do PSB, um ponto para cima. A diferença entre os dois passou de oito para seis pontos percentuais.

Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, Raquel pode variar entre 40% e 46%, enquanto João fica entre 34% e 40%, fazendo com que os intervalos se encontrem no limite da margem.

Ivan Moraes (PSOL) aparece com 1%, mesmo percentual da rodada anterior. Renan Hallais (Missão) também tem 1%, ante 0% em agosto.

Professora Camila (UP), Professor Jeremias do Banco (Democrata), Victor Assis (PCO) e Guilherme Fonseca (PSTU) aparecem com 0%.

Os indecisos somam 12%, mesmo percentual da pesquisa anterior. Brancos, nulos e os que afirmam que não vão votar representam 6%, ante 7% em agosto.

A Quaest também perguntou sobre o grau de definição do voto. Para 76% dos entrevistados, a escolha já é definitiva, contra 72% anteriormente. Outros 23% afirmam que ainda podem mudar de candidato até 4 de outubro; eram 27%.

Na pesquisa espontânea, Raquel tem 33%, mesmo índice de agosto, enquanto João passou de 22% para 24%. Os indecisos são 40%.

Contratada pela Globo, a Quaest entrevistou 1.302 eleitores entre os dias 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número PE-00285/2026.

Fonte: G1
Imagem: Reprodução/TV Globo

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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Setembro Amarelo: irritabilidade e isolamento podem ser sinais de sofrimento emocional em crianças e adolescentes

 Setembro Amarelo: irritabilidade e isolamento podem ser sinais de sofrimento emocional em crianças e adolescentes

Especialistas orientam pais e professores a observar mudanças persistentes de comportamento e explicam como abordar o assunto sem julgamento

Nem sempre uma criança ou adolescente que está passando por sofrimento emocional vai dizer que não está bem. Mudanças de comportamento, irritabilidade, isolamento, alterações no sono, queda no rendimento escolar e perda de interesse por atividades que antes faziam parte da rotina podem ser sinais de que algo precisa de atenção. No Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre prevenção do suicídio, especialistas alertam para a importância de identificar precocemente sinais de sofrimento psíquico entre crianças e adolescentes.

Segundo a neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, especialista em desenvolvimento infantil, o comportamento pode ser uma das principais formas de comunicação da criança.

“Nem toda criança consegue dizer que está sofrendo. Muitas vezes, ela demonstra isso por meio do comportamento. Por isso, mais do que observar um comportamento isolado, os pais precisam perceber mudanças em relação ao padrão daquela criança. Se ela sempre foi comunicativa e passa a se isolar, se costumava participar das atividades e perde o interesse ou apresenta uma irritabilidade que não era habitual, é importante investigar o que está acontecendo”, explica.

A especialista ressalta que isso não significa que toda alteração de comportamento seja indicativa de um transtorno ou de uma situação grave. O que merece atenção é a persistência, intensidade e impacto da mudança na rotina.

“Uma criança pode estar triste, frustrada ou irritada em determinado momento e isso faz parte da vida. O sinal de alerta aparece quando aquela mudança permanece, se intensifica ou começa a interferir na escola, nas relações, no sono, na alimentação ou nas atividades que antes eram prazerosas”, afirma Silvia.

Crianças neurodivergentes exigem atenção aos padrões individuais

Em crianças neurodivergentes, como aquelas com autismo ou TDAH, a identificação pode ser mais complexa. De acordo com Silvia, comportamentos novos não devem ser automaticamente atribuídos à condição de base.

“É muito importante conhecer o funcionamento daquela criança. Em uma criança autista, por exemplo, uma mudança comportamental pode ser rapidamente interpretada como parte do autismo. Mas uma alteração nova, que foge do padrão habitual, também pode indicar que ela está enfrentando alguma dificuldade emocional, social ou ambiental”, diz.

A parceria entre família e escola também pode ajudar na identificação.

“Professores passam muitas horas com essas crianças e podem perceber mudanças que não aparecem em casa. Da mesma forma, os pais conhecem aspectos que a escola não necessariamente observa. Quando família e escola compartilham essas informações, conseguimos ter uma visão muito mais completa da criança”, afirma.

Na adolescência, sofrimento pode aparecer como irritabilidade

Para a psiquiatra Fabricia Signorelli, especialista em transtornos do neurodesenvolvimento e altas habilidades, um dos erros mais comuns é associar sofrimento emocional apenas à tristeza.

“Quando pensamos em saúde mental, muitas pessoas imaginam uma criança ou adolescente triste, chorando e dizendo que não quer fazer nada. Mas o sofrimento também pode aparecer como irritabilidade, agressividade, isolamento, queda no desempenho escolar, alterações importantes no sono ou perda de interesse. Por isso, precisamos olhar para mudanças no funcionamento como um todo”, explica.

A psiquiatra destaca que o contexto deve ser considerado antes de qualquer conclusão.

“Não é porque um adolescente está irritado ou quer ficar sozinho em determinado momento que existe necessariamente um problema de saúde mental. A adolescência envolve mudanças importantes. O que merece atenção é quando existe uma alteração significativa em relação ao comportamento habitual e essa mudança persiste ou começa a prejudicar a vida do jovem”, afirma.

Como conversar com crianças e adolescentes

Uma das dúvidas mais frequentes dos pais é como abordar o assunto. Para Fabricia, o primeiro passo é criar um ambiente em que o jovem se sinta seguro para falar.

“Precisamos trocar o interrogatório pela disponibilidade. Em vez de perguntar apenas ‘o que você tem?’, os pais podem demonstrar que perceberam a mudança e dizer que estão disponíveis para conversar. O mais importante é ouvir sem minimizar imediatamente aquilo que o jovem está sentindo”, orienta.

Frases como “isso é só uma fase”, “você não tem motivo para estar assim” ou “todo mundo passa por isso” podem dificultar a comunicação.

“Quando alguém consegue falar sobre uma dor emocional e escuta que aquilo não é importante, pode entender que não vale a pena falar novamente. Acolher não significa concordar com tudo. Significa mostrar que aquela pessoa foi ouvida e que existe um adulto disposto a ajudá-la”, explica a psiquiatra.

Segundo Fabricia, diante de uma preocupação concreta, também é possível perguntar diretamente sobre pensamentos relacionados à morte ou ao desejo de não estar vivo.

“Perguntar diretamente não coloca uma ideia na cabeça da pessoa. Ao contrário, pode abrir uma oportunidade para que ela fale sobre algo que estava sendo vivido em silêncio. Se existe uma preocupação real, é importante não fugir da conversa por medo de tocar no assunto”, afirma.

Quando procurar ajuda profissional

As especialistas recomendam avaliação profissional quando as mudanças de comportamento são persistentes, intensas ou interferem significativamente na rotina da criança ou do adolescente.

“Procurar ajuda não significa que necessariamente exista um diagnóstico. A avaliação serve justamente para entender o que está acontecendo e identificar quais estratégias podem ajudar aquela criança ou adolescente”, afirma Silvia.

Já situações que envolvam falas recorrentes sobre morte, desesperança, autolesão ou indicação de risco imediato exigem atenção e busca de ajuda especializada.

“Prevenção não começa apenas quando existe uma crise. Ela começa na construção de vínculos, na possibilidade de falar sobre emoções e na percepção de que pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Pais e professores não precisam resolver tudo sozinhos, mas precisam saber reconhecer quando é hora de procurar ajuda”, afirma Fabricia.

Para Silvia, o Setembro Amarelo também pode ser uma oportunidade para levar o tema para dentro de casa.

“Não precisamos esperar uma situação grave para perguntar aos nossos filhos como eles estão. A saúde mental também é cuidada no cotidiano, quando existe escuta, vínculo e espaço para falar sobre aquilo que incomoda. Muitas vezes, o primeiro passo da prevenção é simplesmente perceber que alguma coisa mudou e se aproximar”, conclui.

Fonte https://diariopcd.com.br/setembro-amarelo-irritabilidade-e-isolamento-podem-ser-sinais-de-sofrimento-emocional-em-criancas-e-adolescentes/

Postado Pôr Antonio Brito 

Você já ouviu falar em crip time?


O conceito me chamou atenção porque coloca o tempo dentro da discussão sobre deficiência de um jeito que eu ainda não tinha explorado.

Hoje, sendo mestranda na UFF essa discussão atravessa a minha própria experiência. Tenho direito a um prazo adicional de 6 meses para a conclusão do mestrado. E, quando penso na minha rotina, entendo ainda melhor por quê.

Para eu chegar à aula, por exemplo, existe todo um tempo que vem antes: o tempo da minha mãe idosa para me arrumar, o tempo da motorista que me leva à universidade.

Para muitas pessoas com deficiência, participar de uma atividade envolve tempos (o próprio e o dos outros) que quase nunca são considerados quando horários, prazos e rotinas são definidos.

E esse tempo nem sempre é igual. Em dias muito frios ou em que me sinto cansada minha mão pode ficar mais fraca. Isso significa que levo mais tempo para me deslocar de um lugar para outro, porque não consigo movimentar o joystick da cadeira de rodas com a mesma facilidade.

Talvez o crip time nos ajude justamente a perceber esse tempo que existe, mas quase nunca entra na conta quando alguém determina quanto uma atividade “deveria” levar.

Uma das autoras fundamentais para essa discussão é Alison Kafer, pesquisadora dos estudos feministas, queer e da deficiência. Ela desenvolve a discussão sobre crip time e questiona a ideia de que existe uma relação neutra entre corpo, deficiência e tempo.

A gente fala muito sobre barreiras arquitetônicas, comunicacionais e atitudinais. Mas quanto tempo as barreiras nos fazem perder?

Pensar em crip time acrescenta uma camada importante à discussão sobre acessibilidade: talvez inclusão também passe por reconhecer que não existe uma única maneira legítima de viver e organizar o tempo.

E você, já conhecia o termo crip time?

Se esse conteúdo fez você pensar, compartilhe. Talvez seja um conceito novo para mais alguém também.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Filme sobre Rádio Pajeú e escolas radiofônicas é gravado no Sertão

 

Curta documental “Aquilo que a Memória Amou 2” recupera a experiência de educação pelo rádio no Pajeú e tem lançamento previsto para dezembro, no Cine São José.

O Sertão do Pajeú recebe, neste mês de setembro, as gravações do curta documental “Aquilo que a Memória Amou 2”, dirigido pela pesquisadora Silmara Marques. O filme aborda a atuação das escolas radiofônicas que levaram alfabetização e formação a comunidades rurais da região durante a década de 1960.

As filmagens começaram na primeira semana do mês e seguem até quarta-feira (9). Além de municípios do Pajeú, a produção realizou gravações em Bela Cruz, no Ceará, e no Recife.

O projeto é financiado pela Lei Paulo Gustavo em Pernambuco, com apoio da Secretaria de Cultura do Estado. Segundo a produção, o documentário percorre locais ligados à experiência das escolas radiofônicas e reúne dezenas de entrevistas sobre o período.

No Pajeú, as aulas transmitidas pelo rádio tiveram participação da Rádio Pajeú e estavam vinculadas ao Movimento de Educação de Base (MEB), criado em 1961 a partir de iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

“Elas tiveram um papel muito importante no Sertão do Pajeú. Pelas ondas do rádio, a educação chegava às comunidades rurais mais distantes, levando não apenas o aprendizado da leitura e da escrita, mas também conhecimento e novas possibilidades”, afirma Silmara Marques.

O documentário também aborda, segundo seus realizadores, a perseguição e a censura sofridas pelas experiências de educação radiofônica durante a ditadura militar.

Equipe com participação de afogadenses

Parte da equipe do curta é formada por profissionais de Afogados da Ingazeira. Além de Silmara Marques, o professor Adeilton Rodrigues participa da pesquisa. Uilma Queiroz atua como consultora de roteiro e auxiliar de direção.

O jornalista Leonardo Lemos é produtor executivo, Isabella Lumara integra a produção e Geovana Lima trabalha como auxiliar de pesquisa, com colaboração de Alexsandro Acioly. Richard Soares responde pelas captações de som, enquanto Josivan Veras atua no transporte da equipe.

A produção conta ainda com a Caldo de Cana Filmes, Iberê Melo Barreto na direção de fotografia, Okoye Ribeiro Martins na assistência de fotografia, Ângelo Freire como still e Alexandreh na pós-produção de som.

“Aquilo que a Memória Amou 2” tem lançamento previsto para dezembro, no Cine São José, em Afogados da Ingazeira. A data do evento ainda será definida.

Foto: Ângelo Freire

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