
A disputa pelo Governo de Pernambuco em 2026 tem uma característica curiosa: ao contrário de outros estados, ela parece ter três etapas bem definidas.
A primeira foi a da “pré-pré-campanha”, iniciada praticamente no dia seguinte às eleições municipais de 2024 e que ganhou força no fim de 2025. Naquele momento, embora ninguém admitisse formalmente, já estava claro que a governadora Raquel Lyra e o então prefeito do Recife, João Campos, caminhavam para um confronto direto. Movimentos administrativos, agendas no interior, fortalecimento de bases políticas e estratégias de comunicação passaram a ser observados sob a ótica de 2026.
A segunda etapa é a que vivemos agora: a pré-campanha propriamente dita. João Campos amplia sua presença estadual e busca consolidar a imagem de principal alternativa ao atual governo. Raquel Lyra, por sua vez, utiliza a força da máquina administrativa e aposta na entrega de obras, programas e ações para melhorar sua avaliação e reduzir resistências.
Mas há uma terceira fase que ainda não começou: a da campanha eleitoral para valer. E ela deve ganhar intensidade apenas após a Copa do Mundo, quando o eleitor médio passará a dedicar mais atenção ao debate político. É nesse momento que televisão, rádio, redes sociais, marketing, alianças e confronto de narrativas tendem a redefinir percepções. Um fato pode causar uma reviravolta.
As pesquisas divulgadas até aqui mostram um cenário de forte polarização. Levantamentos recentes apontam João Campos liderando, mas com vantagem reduzida sobre Raquel Lyra, ou virada com empate técnico pró governadora. A mais recente pesquisa Real Time Big Data registrou 45% para João e 40% para Raquel no principal cenário de primeiro turno, enquanto o segundo turno aparece igualmente apertado.
O dado mais relevante, porém, talvez não seja a liderança de um ou de outro. O principal aspecto é que houve uma redução da distância observada em pesquisas anteriores, quando João aparecia com margens mais confortáveis. Em abril, por exemplo, levantamentos indicavam diferenças mais amplas entre os dois. Isso sugere que a disputa está longe de encerrada.
João Campos quer chegar à reta decisiva com alto índice de conhecimento, forte presença digital, herança política consolidada e uma marca eleitoral associada ao “lado bom do PSB”, legenda que governou Pernambuco por quase duas décadas, a partir do governo do seu pai, Eduardo Campos.
Raquel Lyra, entretanto, possui um ativo igualmente importante: o cargo de governadora. Se conseguir transformar entregas administrativas em percepção positiva para o eleitorado, poderá liquidar a fatura. A experiência brasileira mostra que governadores candidatos à reeleição frequentemente crescem durante a campanha oficial. E Raquel têm crescido.
Outro fator relevante é que a eleição ainda não foi submetida ao teste do confronto direto. Até agora predominam agendas positivas e movimentos estratégicos. Na campanha oficial, surgirão comparações de gestões, cobranças, exploração de vulnerabilidades e disputas por narrativas. É nessa etapa que podem aparecer fatos novos capazes de alterar o cenário.
Além disso, o histórico pernambucano recomenda cautela. O Estado já testemunhou campanhas que pareciam definidas meses antes do voto e acabaram assumindo rumos inesperados.
Por isso não há ainda como definir um nome que seja favorito nato. A conclusão mais prudente é que Pernambuco ainda não entrou na fase decisiva da eleição.
A pré-pré-campanha passou. A pré-campanha está em andamento. Mas a campanha de verdade começa depois da Copa. E é justamente nessa etapa que as maiores surpresas costumam acontecer. Vai ser a hora da onça beber água.
Pra pensar

...e refletir
Estima-se que seria necessário um investimento de US$ 40 bilhões a US$ 267 bilhões por ano até 2030 para erradicar a fome global. O valor varia dependendo da estratégia, cobrindo desde ações emergenciais de distribuição de alimentos até reformas estruturais e agrícolas sustentáveis. Ou seja, a fortuna de Elon Musk daria pra acabar a fome no mundo e ainda sobraria o suficiente para ele não conseguir gastar até sua morte…
Diferença

Guarda a data?

Romperam x não romperam

Debate os prefeitos e ex-prefeitos que já romperam no Pajeú estão Zeinha Torres e Pedro Alves (Iguaracy), Luciano Duque e Márcia Conrado (Serra Talhada). Dos que seguem unidos, Marconi Santana e Giba Ribeiro (Flores), Anchieta Patriota e Berg Gomes (Carnaíba), Djalma Alves e Mayco da Farmácia, João Batista e Luciano Bonfim (Triunfo) e Adelmo Moura e Aline Karina (Itapetim). Da série “estão ainda”, Diógenes Patriota e Sávio Torres, de Tuparetama.
Pode e não pode

Lula vai gravar

Raquel reforça discurso de palanque amplo

Pão e circo de Coco

Lá vem pesquisas
Três pesquisas foram registradas para o Governo de Pernambuco e serão divulgadas nos próximos dias. Uma do instituto Múltipla, a ser divulgada pelo blog um mês após o levantamento de 18 de maio. Também registraram o Ipespe para a Folha de Pernambuco e o Imape. Haja coração.
Frase da semana:“Tentaram abreviar meu mandato”.
Da governadora Raquel Lyra, sobre o embate com a Assembleia Legislativa, colocando o pedido de impeachment e entraves da casa contra sua gestão na conta da misoginia.
https://nilljunior.com.br/




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