segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A PELEJA PELA INCLUSÃO

Hélio Araújo*

Caro amigo, eu o convido
Pra uma reflexão
Sobre um certo segmento,
Que vive neste sertão,
Travando muitas batalhas
Na guerra pela inclusão

No meio do nosso povo
Tem gente de todo jeito
Uns não andam, outros não falam,
Há quem não enxergue direito,
Outros pensam devagarinho,
Mas todos exigem respeito

A pessoa com deficiência
Não quer mordomia, não.
Pede apenas oportunidade,
Não importa a sua limitação,
Busca emprego, escola, lazer,
Saúde, transporte e educação.

Essa história de peninha
É coisa da antiguidade.
A luta é pra cobrar,
Direitos, dignidade,
Reabilitação, cultura,
Esporte e acessibilidade.

A luta é incessante
Pra ver tudo melhorar.
Pois ficar parado em casa
Não dá pra continuar.
Estamos em novos tempos,
Temos muito a avançar.

O deficiente quer usar
O empoderamento:
Ele mesmo escolher e decidir,
Demonstrar seu pensamento,
Estudar, passear, brincar,
Pensar inclusive em casamento.

Pensam que o deficiente
Só vai pra hospital ou igreja.
Mas é terrível engano,
Pois é gente de peleja,
Pratica esporte, trabalha, viaja,
Uns até tomam cerveja.

Tem gente que quer saber
O termo certo a usar:
Pessoa com deficiência
É o que devemos chamar,
Mas o que importa é o respeito
Por onde quer que se vá.

Para o cego se incluir,
A bengala tem valor
Livro em braile ou falado
Óculos ou gravador,
Reglete, punção, lupa
E até computador.

O deficiente intelectual na escola
Com certeza tem progresso,
Vai aprender lentamente
Mas terá muito sucesso.
Mostrará que merece
Um espaço no universo.

Se a escola é inclusiva,
É melhor o aprendizado,
Lá será bem acolhido,
Se sentirá valorizado,
Vai descobrir seu potencial
E ficará bem preparado.

O deficiente físico precisa
De cadeira de rodas forte,
Calçada plana e sem buracos,
Banheiro de bom porte,
Rampas ou elevador,
E acesso ao transporte.

A pessoa surda deseja
Muito a comunicação:
Usa fisionomia, sinais e gestos,
Movimentando corpo e mão.
Com respeito e paciência,
Será certa sua inclusão.

Para tudo melhorar,
Temos de ter gente ativa,
Acolhedora, sem preconceito,
Justa e compreensiva,
Que nos ajude a construir
Uma sociedade inclusiva.

Pra essa transformação,
Todo mundo tem valor,
Seja motorista, policial, gari,
Arquiteto, político, professor,
Médico, pedreiro, camelô, enfermeiro,
Empresário, padre ou pastor.

Com essa consciência
Nós devemos todo dia
Olhar para o diferente
Defender sua cidadania
Estimulando-o a ir em frente,
Certo de sua valia.

Que o povo continue
Ajudando nessa revolução,
Diminuindo preconceito,
Combatendo a discriminação,
Contribuindo pra que o deficiente
Seja de fato cidadão.

Amigo, seja parceiro
Neste nosso Ideal.
Ao ver um deficiente,
Enxergue seu potencial.
Vamos lutar de mãos dadas
Pela Inclusão Social.

O que importa mesmo
É a mudança do presente
Que todos tenham vez
De expressar o que sente
Lutar pela autonomia
E pela vida independente


* Hélio de Araújo
Professor da Rede Municipal e presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Petrolina - PE.

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