quinta-feira, 19 de novembro de 2009

LESÃO MEDULAR: CUIDADOS COM A PELE.

A lesão medular acarreta um período de internação prolongado, com imobilização total enquanto a lesão ainda está instável. Principalmente nesse período, é preciso ter cuidado com as lesões de pele, as chamadas úlceras de pressão, que podem trazer consequências graves à condição clínica do paciente. Entretanto, esse tipo de lesão pode aparecer mesmo depois de muito tempo desde a lesão medular. Por isso, é importante que alguns cuidados sejam sempre tomados.

As úlceras de pressão ocorrem devido à imobilização, à falta de sensibilidade no local e à vasoplegia, consequentes da lesão medular. Essa lesão começa em poucas horas de compressão da pele, iniciando como uma vermelhidão superficial, podendo evoluir para uma ferida que pode aprofundar até o osso (casos mais graves).

Quando uma pessoa com sensibilidade e motricidade normais permanece na mesma posição por muito tempo, logo vem a sensação de formigamento e câimbras, que fazem com que o indivíduo mude de posição, mesmo enquanto está dormindo. Essa ação alivia a pressão exercida pelas proeminências ósseas na pele, evitando as lesões. Entretanto, o paciente com lesão medular não possui sensibilidade no local e permanece imobilizado por tempo prolongado, o que mantém a causa da lesão cutânea (pressão). Aos poucos, a pele pressionada pelo osso perde a irrigação sanguínea e sofre necrose, fato auxiliado pela vasoplegia que dificulta ainda mais a nutrição tecidual. As úlceras de pressão são mais comuns na região dos trocânteres, ísquios, sacro, calcâneos, maléolos, joelhos, crista ilíaca, cotovelos, occipital e escápulas.


Locais de aparecimento frequente das úlceras de pressão

É preciso que todos saibam que é mais fácil prevenir as úlceras de pressão do que tratá-las, e o método mais eficaz para isso é a mudança de decúbito constante, de modo que as áreas de pressão sejam redistribuídas. Existem hoje almofadas para cadeira de rodas e colchões especiais, com densidades apropriadas, para auxiliar na prevenção das úlceras.

Para os pacientes tetraplégicos, é preciso que a família e os cuidadores tenham muita disciplina para que a mudança de decúbito e a higiene apropriada da pele sejam feitas com rigor. Já os pacientes paraplégicos possuem outros métodos de auto-cuidado que precisam ser adotados para prevenir as lesões da pele. Entre estes métodos estão: os push-ups frequentes (na cadeira de rodas, o paciente pode se utilizar dos membros superiores para aliviar o peso sobre os quadris, empurrando os braços da cadeira para erguer o corpo); e as mudanças de decúbito, usando a força de membros superiores e de tronco (quando houver) para rolar na cama, trocando a posição de “barriga para cima” para o decúbito lateral e vice-versa.


Auto-cuidado do cadeirante para prevenir úlceras de pressão

As úlceras de pressão atrapalham a qualidade de vida do paciente, que muitas vezes cursam com declínio do seu estado geral, apresentando infecções, febre e anemia. Muitos pacientes relatam que essa alteração na condição clínica incomoda mais do que a própria lesão medular, pois, quando presentes, as lesões cutâneas podem impedir a realização de uma série de atividades, como a hidroterapia, alguns exercícios de fisioterapia e a equoterapia (quando a lesão surge em ísquios e sacro, por exemplo).

As atividades laborais também podem estar comprometidas, já que o paciente apresenta muitas vezes um mal estar generalizado decorrente das alterações clínicas causadas pelas úlceras. Além disso, as consequências emocionais muitas vezes influenciam a vida social do paciente, que passa a não querer mais sair de casa ou receber visitas, porque as feridas podem apresentar mau cheiro ou porque os curativos ficam visíveis.

Os tratamentos disponíveis hoje variam desde medicamentos anti-sépticos e antibióticos tópicos até o desbridamento (retirada cirúrgica do tecido necrosado). Os curativos devem ser trocados com frequência para evitar a formação de umidade, que pode prejudicar o processo cicatricial, e para evitar novos pontos de pressão. Mas, nesse caso, o famoso ditado popular é verdadeiro: é mesmo melhor prevenir do que remediar.

Fontes:
- http://www.lesaomedular.com/

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