segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ENSINO RELIGIOSO NA ESCOLA

Ao voltar às atenções para dois tópicos importantes na formação, modificação e desenvolvimento sociais podem observar que de certo modo eles com suas forças e influências tem moldado nossa sociedade e recriado aspectos intrínsecos em nossa formação (costumes, hábitos e até mesmo ideologias), a atuação desses agentes modificadores em nossa sociedade não acontecem de forma homogênea e nem constante, por conseqüência de tal constatação temos um universo de adversidades políticas, sociais, culturais entre outras, que nem sempre foram aceitas e toleradas pela infinidade de grupos sociais existentes.
A religião e a educação nem sempre tiveram uma separação formal e concreta, em alguns momentos da humanidade a existência de uma dependia exclusivamente da outra. Elementos que compõe o processo de perpetuação de um povo, sua identidade e tendo papel fundamental nas perspectivas de desenvolvimento de uma nação, delimitando ou expandindo o seu lugar na história.
Debates a cerca da religião e da educação sempre foram e são freqüentes em nossa sociedade, acaloradas ou com tom apaziguador, a reflexão e o questionamento sempre são válidos, porém a validade do ato de debater por muita vezes foram censuradas e até combatida.
Ha um vasto material que aborda o contexto de debate, tendenciosos ou imparciais, que na verdade nos mostram a complexidade de todas as estruturas e modelos que constituem nossa sociedade em sua amplitude. E esperamos que de forma dinâmica oferecêssemos informações através de consultas a diversas bibliografias que abordaram o assunto e fatos históricos relacionados e que venham elucidar de alguma maneira a discussão sobre o tema.


Definições
• Educação → Ação de desenvolver as faculdades psíquicas, intelectuais e morais: a educação da juventude. / Resultado dessa ação. / Conhecimento e prática dos hábitos sociais; boas maneiras: homem sem educação.
• Religião → Culto rendido à divindade. / Fé; convicções religiosas, crença: a religião transforma o indivíduo. / Doutrina religiosa: religião cristã. / Tendência para crer em um ente supremo. / Acatamento às coisas santas. / Fig. Coisa a que se vota respeito: o trabalho era para ele uma religião.

“(“...) a essência de toda a verdadeira educação ou Paidéia é a que dá ao homem o desejo e a ânsia de se tornar um cidadão perfeito e o ensina a mandar e a obedecer, tendo a justiça como fundamento" (cit. in Jaeger, 1994: 147)”, podemos observar através desta citação do filósofo Platão o quanto era abrangente a educação na vida de um dos povos mais influentes da antiguidade, os gregos por meio de sua idéia de Paidéia, conceitos de muitas definições e que expressava a idéia de uma educação ampla, que englobava entre outros pontos a religião como um de seus eixos de atuações. Suas divindades que passavam lições, em histórias de impasses com semideuses (que usavam de suas astucias apesar de ser sua maioria poderosa fisicamente para ludibriar e vencer desafios impostos pelos deuses), em toda produção literária desse período vemos um apreço por esse tipo de história, onde o panteão das divindades gregas toma pra si características que expressam diretamente a representação da sociedade grega e os fenômenos da natureza. Por outro lado vemos uma sociedade com grande anseio e curiosidade de utilizando a razão como uma nova concepção do mundo a sua volta, através de desenvolvimento do pensar vemos os gregos na figura dos filósofos repensando a religião (apesar de não abandoná-la) e seus elementos, novas explicações para fenômenos e desenvolvimento das ciências proporcionaram avanços que repercutem até hoje na estrutura da sociedade (principalmente ao que diz respeito à sociedade ocidental).
Em toda história da cultura grega vemos esse misto se fazer presente, da literatura até no início da ciência. Esse é um exemplo da relação entre a educação e a religião relatada por umas das primeiras civilizações da história da humanidade.
Vemos essa relação permeando toda a história, e se “desenvolvendo” em conjunto com outros aspectos que estruturam a base do diversos grupos sociais existentes. A religião utilizada como forma de conectar o ser humano com algo superior e considerado divino, essa conexão muitas vezes subjugada às elites dominantes que de certo modo “interpretavam” os dizeres e vontades divinas e repassavam as outras classes, uma classe que desde antiguidade tem uma relação muito próxima com esses dois tipos de poderes (poder divino e poder das elites sociais) os sacerdotes desde épocas remotas são interpretes e responsáveis pelas mediações entre os o divino e o terreno. Classe essa que em muitas culturas tem um papel fundamental em sua construção, além de privilégios e um destaque social diferenciado das demais classes. Organizadas em instituições com expressivas representatividade política (misturado ao poder vigente), tais classes sempre foram primordiais no que diz respeito a difusão e controle de qualquer tipo de conhecimento, em alguns momentos eram detentoras do processo de aprendizado e sua transmissão. A detenção da “educação” usada em muitas ocasiões como ferramenta de controle de massa, inserindo nos grupos sociais ideologias envoltas em aspectos educacionais, com o objetivo de influenciar e manipular grupos sociais, uma educação servidora de interesses estipulados e pré determinados por pela fração dominante da sociedade (seja domínio econômico, bélico ou até mesmo domínios de mentes, como foi o caso dos Jesuítas no Brasil). No entanto não somente a co-autoria no processo de condução social e a aplicação dos interesses do poder restringiam a função da religião. A responsabilidade da conexão entre o terreno e o divino era umas das diversas atribuições, as relações de proximidades entre os poderes sociais e religiosos em nossa sociedade, foram solos férteis para o surgimento de uma das mais influentes instituições religiosa de nossa história. Com o movimento de Cristianização na Idade Média a ideologia se concretizou na estrutura decadente do Império Romano, a Igreja Católica Apostólica Romana nascia instituição que mudaria o mundo e redesenharia os contornos geográficos, se uniria a reinos de grande destaque e conquistas.
Até que ponto a religião pode interferir no desenvolvimento e avanço educacional? Mas a complexidade desse questionamento excede qualquer barreira formal e informal, já que educação e religião em alguns estágios se fundem tão intrinsecamente em nossa sociedade que a divisão ou até mesmo a analise separadamente torna-se muito dificultoso. Entretanto podemos utilizar o exemplo de dessa relação quase simbiótica da Igreja Católica e poder do “Estado” no papel dos Reinos para demonstrar o quanto é delicado o equilíbrio entre Religião e educação (aplicada em diversos ramos de nossa sociedade). A Inquisição é um exemplo dessa relação estruturada e apoiada pelo poder do Estado, tal processo levou muitas pessoas a ser condenados e executados por misticismo, já que algumas dessas vítimas eram estudiosas de algum tipo de ciência (educação aplicada) ou até mesmo pensadores, que de alguma forma chamavam a atenção desse braço da igreja. Que através de acusações baseadas no misticismo sofreram retaliações e suas “criações” censuradas. Um caso célebre, foi o físico Galileu Galilei que mesmo convicto de suas descobertas cientificas (comprovadas por métodos científicos e experiências) teve que negá-las a igreja que não aceitava tais idéias (mesmo Galileu tendo aplicado com afinco seus conhecimentos científicos), hoje os estudos ligados as descobertas de Galileu são aceitos e comprovados, e Galileu considerado um dos pais da física clássica. Esse exemplo mostra que nem sempre essa relação é válida ou aceitável, pois em contraponto aos dogmas religiosos há o avanço real e concreto da ciência e seus benefícios. Aliás, o debate entre ciência (educação aplicada) e a religião não é algo que ficou restrito ao passado, na atualidade vemos representantes de ambos os lados apresentando inúmeros argumentos a respeito de diversos assuntos polêmicos.
Qualquer debate em uma sociedade torna-se válido, porém a atitude extremista é preocupante, pois a excede a esfera dos impasses ideológicos, radicalizando a verdadeiros combates entre extremistas de ambos os lados. Uma questão que atualmente tomou uma grande visibilidade é utilização de células tronco, a possibilidade desse tipo de unidade biológica ajudar na regeneração de sistemas ligados ao nosso organismo, abre um leque ilimitado a serem explorado pela ciência, estudos realizados em camundongos foram promissores, nessa segunda fase os testes começaram a ser realizados em humanos, nos Estados Unidos, por exemplo, a autorização do governo para o inicio das experiências foram não foram vistas com bons olhos pela igreja, pois considera o uso das células uma forma de manipulação da vida. Tais debates colocam em xeque e a viabilidade da existência de aspectos religiosos em decisões como está.
Tomamos a educação como uma ferramenta de compreensão do ambiente em que vivemos e como forma de esclarecermos de duvidas relacionadas à nossa realidade, a aplicação nos diversos ramos de atuação de mostra que uma boa educação torna um individuo ter capacidade autônoma gerenciar seus pensamentos e ideais. Apesar das imposições existirem (a religiosa, por exemplo), a capacidade de critica e análise é imprescindível para conseguirmos vencermos esses obstáculos impostos pela sociedade. E a religião pode ser o “fio condutor” no processo de formação de uma sociedade melhor ou esse fenômeno de afastamento do homem moderno do mundo religioso continuará cada dia mais. A religiosidade é um dos componentes na formação do individuo e é participante no modo do comportamento do mesmo diante a sociedade. A educação faz parte do aprendizado de alguns códigos sociais que servirão de ponte de integração e inserção social, porém o papel de educador não é restrito a profissionais ligados a educação, cabe a todos nós sermos agentes transformadores do nosso meio social em vez sempre esperar alguma atitude do próximo. Somos assim como os professores agentes transmissores de conhecimento (mesmo que de maneira inconsciente), somos exemplos dinâmicos, observados a cada segundo por outros membros que como nós compõem nosso grupo social. Tal observação não é uma visão idealista, pois temos respostas concretas a cada instante de nossa atuação ou omissão, tiramos como exemplos as criticam em relação à política como um todo, sempre reclamamos do descaso, corrupção e omissão dos políticos. No entanto, são colocados em cargos representativos por voto da sociedade de onde são originários, então podemos concluir que são reflexos de nossa dessa mesma sociedade que os elegem? Ou são exceções e nada representa a sociedade?
Perguntas intrigrantes e respostas ainda mais complexas, mas que poderemos ser capaz de entender quando tornarmos nossas responsabilidades algo claro. E nisso a educação e a religião tem incomum, a inserção do individuo e mostrá-lo a sua importância como agente transformador. Juntos esses dois aspectos de nossa sociedade sem dúvida são de grande importância, correspondente a perpetuação ou a anulação de civilizações, responsáveis por incontáveis glórias e fracassos, cabe a nós escolhermos o rumo de nossa sociedade e utilizando esses agentes sociais como trampolim para alcançarmos novos objetivos e corrigir os antigos.
Por meio dessa breve explanação pretendo trazer a tona um amplo cenário sobre religião e educação, aspectos informativos a respeito desse debate que de forma alguma deve ser cessado. Pois os resultados são benéficos para uma formação mais ampla e crítica e estimulado pontos ligados a tolerância, o respeito e a responsabilidade social que temos ao sermos transmissores de conhecimentos e não detentores do mesmo.
Retratando resumidamente as relações desses dois agentes durante alguns períodos destacados de nossa história, e a forma de como se tornaram primordiais na formação do coletivo (na forma de grupos sociais) e do individual (do cidadão). Espero fazer parte desse debate, motivando muitos outros em relação a esse assunto. Talvez a possibilidade de concretizar essa ou qualquer tipo de conclusão relacionada a esse debate não se torne possível, pois tais aspectos estão intrínsecos na sociedade e na sua evolução.



Bibliografia

Jaeger, Werner Wilhelm, 1888-1961,Paidéia: a formação do homem grego - 3ª. Edição – São Paulo: Martins Fontes, 1994.

http://www.dicionariodoaurelio.com/

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