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domingo, 15 de março de 2026

Coluna do Domingão: uma nova Raquel


Uma nova Raquel 

Uma das impressões da visita da governadora Raquel Lyra ao Pajeú nesses dois dias é a da mudança de astral da gestora estadual.

Claro,  isso também se deve à forma como foi recebida e celebrada em São José do Egito,  Itapetim, Tabira,  Solidão e Afogados da Ingazeira. E isso não tem relação apenas com os aliados Fredson e Flávio Marques,  prefeitos de duas das cinco cidades visitadas por Raquel. A gestora teve tapete vermelho institucional estendido por prefeitos socialistas,  que deixaram as divergências de lado e compareceram à agenda. Claro, Aline Karina,  Mayco da Farmácia e Sandrinho Palmeira o fizeram também por estratégia, para abafar a possibilidade de que Anderson Lopes, Adriana Godê e Danilo Simões absorvesssem sozinhos o impacto positivo da agenda.

Esse movimento ajudou o discurso de Raquel,  que tem dito, Pernambuco não pode olhar para a pequena política em detrimento do que é melhor para o Estado. É isso que a faz questionar a condução de Álvaro Porto na ALEPE. “Não prejudica a mim, prejudica a Pernambuco”, reclamou na Rádio Pajeú sobre a demora na votação da Lei Orçamentária Anual.

No mais, a governadora mostrou uma versão diferente da apresentada nas edições anteriores. A impressão é de que,  em um ano estratégico,  entende que há uma mudança de astral na percepção de seu governo,  com mais entregas que cobranças, ambiente necessário para buscar caminhos de uma virada eleitoral sobre um adversário fortíssimo no nome e no que envolve seu projeto,  o prefeito João Campos.

Os rumos dessa eleição,  quem ganha, quem perde, se João,  se Raquel,  ninguém consegue prever. Mas o fato é que a governadora quis transmitir uma mensagem nesse mergulho ao Pajeú: ganhe ou perca, vai viver ou morrer atirando…

Garantias

Dentre as garantias de Raquel na entrevista à Rádio Pajeú,  a de que vai olhar para o Sertão na redistribuição dos novos “laranjinhas”, como são classificados os PMs recém formados. Sobre a PE-320, prometeu melhorar sua trafegabilidade e disse já ter feito alguns reparos. E brincou: “o problema é que ela é longa demais”.

A recepção

Ninguém recebeu Raquel como o prefeito de Tabira,  Flávio Marques,  do PT. A carreata com Raquel gerou ciúme até entre aliados da governadora,  além de levantar questionamentos sobre possível campanha antecipada. Sabendo que fazer Raquel majoritária também diz muito sobre 2028, Marques “botou furando”.

Esperando

O neo-petista Breno Araújo não cravou apoio a João Campos ou a Raquel Lyra. Disse a Francys Maya,  na Vilabela FM, que aguarda uma definição do Diretório Estadual do partido. Só está comprometido com Humberto Costa. Nos bastidores, apesar dos aliados de Raquel na legenda e dos que fazem jogo duplo,  dando à legenda o apelido de “total flex”, a tendência é o apoio a João Campos.

Crechômetro

Álvaro Porto disse em Lajedo que o governo Raquel há anos cuida de anúncios e promessas, mas não consegue fazer entregas. A observação foi feita em referência ao fato de a governadora Raquel Lyra, faltando dez meses para encerrar a gestão, ter inaugurado apenas duas das 250 creches prometidas em campanha.

Simbólica

Um dos momentos simbólicos de Raquel no Pajeú foi registrado em Curralinho, São José do Egito,  onde ao lado do prefeito Fredson Britto, inaugurou o dessalinizador da comunidade, além da requalificação da estrada que liga Curralinho ao distrito de São Pedro. Além de ser promessa de Fredson fortalecer a qualidade de vida nas comunidades, emocionou Raquel o depoimento de Luciana, líder comunitária que fez um depoimento que foi parar nas redes sociais da governadora.

Nem aí

A falta de compromisso ideológico dos partidos, o jogo do poder e de busca por espaços explica porque, à exceção de Humberto Costa,  todos conversam com todos sobre as duas vagas ao Senado. Isso explica Sílvio Costa Filho, Marília Arraes,  Miguel Coelho e Dudu da Fonte negociando com os palanques de Raquel Lyra e João Campos,  com zero pudor.

Sangue novo

O prefeito de Aliança, Pedro Freitas, que assumirá a presidência da AMUPE terça-feira, promete entregar muito mais que o antecessor Marcelo Gouveia,  mais preocupado com seu projeto político do que com a pauta municipalista. Pedro tem currículo: foi superintendente do BNB em Pernambuco,  vice-presidente nacional da Caixa, tem juventude e articulação. A AMUPE, que respirava por aparelhos,  ganha vida nova.

Voltando da porta?

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, disse que as conversas sobre a candidatura de Marília Arraes ao Senado com João Campos foram retomadas,  mesmo admitindo que Raquel a quer na chapa. Já João Campos defendeu o alinhamento político. “Marília tem uma condição muito próxima da gente, e eu tenho certeza que, na nossa construção, esse processo vai se afunilar da forma certa”, argumentou o prefeito.

Ausências

As ausências mais sentidas na agenda de Raquel na região foram as de Pedro Alves (Iguaracy) e Marconi Santana (Flores). Publicamente,  nenhum justificou a ausência. A princípio,  Pedro Alves estaria incomodado com o protagonismo de Zeinha Torres no governo. E Marconi alegou questões de agenda,  revogadas as disposições em contrário.

Nem tudo é civilidade 

Em Solidão,  foi engraçado ver Adriana Godê se engalfinhando pra sair na foto com Raquel Lyra, incomodada com a presença de Mayco da Farmácia na posição de destaque no palanque oficial.  A vereadora não teve êxito na busca por protagonismo ao lado de Raquel, mas teria vetado a ida da governadora à uma recepção organizada pelo prefeito. Ficou no 1×1.

Leitora

Ao concluir a entrevista na Rádio Pajeú,  a governadora Raquel Lyra disse acompanhar o blog regularmente. “É uma das minhas fontes de informação no Estado”, afirmou,  para depois parabenizar a independência editorial do veículo.

Frase da semana:

“Agora é todo mundo conversando com todo mundo”.

De Raquel Lyra,  sobre as negociações para o Senado e a conversa que teve com Carlos Lupi e Marília Arraes.

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