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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Candidaturas negras chegam a 49,8% nas eleições de 2026, aponta levantamento

 

Estudo elaborado a partir de dados do TSE identificou 10.191 candidatos autodeclarados pretos ou pardos entre 20.448 candidaturas válidas. Apesar do avanço, participação permanece abaixo dos 55,5% que pessoas negras representam na população brasileira.

As candidaturas de pessoas negras — pretas e pardas — representam 49,8% dos nomes que disputam as Eleições 2026, segundo levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e da consultoria CommonData com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Entre as 20.448 candidaturas válidas identificadas até 16 de agosto, 10.191 são de pessoas que se autodeclararam pretas ou pardas. O percentual ainda é inferior à participação desse grupo na população brasileira, estimada em 55,5%.

Do total de candidatos, 2.789 são pessoas pretas, equivalentes a 13,6%, enquanto 7.402 são pardas, ou 36,2%. Na população brasileira, os percentuais correspondem a 10,2% e 45,3%, respectivamente.

O estudo também analisou mudanças na autodeclaração racial. Entre candidatos anteriormente identificados como brancos, 338 passaram a se declarar pardos e seis, pretos.

Segundo a assessora do Inesc Carmela Zigoni, uma das hipóteses é de que candidaturas estejam ampliando a abordagem de questões raciais em suas plataformas políticas para alcançar um eleitorado maior. A avaliação, contudo, é uma interpretação do instituto sobre os dados.

Financiamento das campanhas

O levantamento chama atenção ainda para as mudanças nas regras de distribuição de recursos eleitorais. A Emenda Constitucional nº 133, de 2024, alterou a forma de destinação das verbas para candidaturas negras.

De acordo com o Inesc, a presença de candidatos pretos e pardos nas listas partidárias precisa ser analisada em conjunto com fatores como financiamento, estrutura de campanha e tempo de propaganda eleitoral.

Carmela Zigoni também defende a atuação de bancas de heteroidentificação para reduzir o risco de fraudes relacionadas às cotas raciais.

Homens brancos continuam como maior grupo

Quando raça e gênero são considerados simultaneamente, os homens brancos permanecem como o maior grupo entre as candidaturas, com 6.688 nomes, equivalentes a 32,7% do total.

Na sequência aparecem homens pardos, com 4.917 candidaturas (24,1%); mulheres brancas, com 3.271 (16%); e mulheres pardas, com 2.485 (12,2%).

As mulheres pretas somam 1.234 candidaturas, ou 6% do total, enquanto os homens pretos são 1.555, equivalentes a 7,6%.

Entre as 7.116 mulheres candidatas, 3.719 são negras, o equivalente a 52,2%. Desse grupo, 2.485 se declaram pardas e 1.234, pretas.

As mulheres negras representam 18,2% de todas as candidaturas deste ano, ante 17,3% em 2022. Já a participação dos homens negros passou de 32,3% para 31,7%.

Indígenas e quilombolas

O levantamento identificou ainda 191 candidaturas de pessoas autodeclaradas indígenas, correspondentes a 0,9% do total. Em 2022, eram 172, ou 0,6%. Entre os candidatos indígenas deste ano, 84 são mulheres.

As candidaturas quilombolas somam 212, cerca de 1% do total. São 110 homens e 102 mulheres. O grupo é majoritariamente negro: 140 candidatos se autodeclaram pretos e 43, pardos.

Os resultados completos do levantamento deverão ser divulgados no fim de setembro.

Fonte: Agência Brasil

Imagem: Tânia Rego

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