Páginas

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Mundial de rúgbi em CR: atleta volta à Seleção Brasileira após AVC e estreia na competição em casa

Guilherme Camargo em quadra em partida válida pela Copa América do ano passado. | | Foto: Divulgação/Thelma Vidales/ABRC

O Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB), em São Paulo, recebe, entre os dias 17 e 23 de agosto, o Campeonato Mundial de rúgbi em cadeira de rodas, organizado pela World Wheelchair Rugby (WWR). A competição terá um significado especial para o carioca Guilherme Figueiredo Camargo, 36, que, por pouco, não teve a oportunidade de disputar o Mundial há quatro anos.

Em 2022, quando era capitão da Seleção Brasileira e estava entre os atletas convocados para disputar o Mundial, Guilherme sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) durante a preparação no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. A pouco menos de três semanas da competição, precisou deixar a equipe e iniciou um processo de reabilitação.

Agora, Guilherme se prepara para disputar um Mundial pela primeira vez. A competição será realizada no Brasil e ganha um novo valor para o atleta, que precisou esperar quatro anos pela nova oportunidade de disputar o principal torneio da modalidade.

“Tem um gostinho especial essa preparação para mim, porque é o meu primeiro Mundial, porque eu não pude disputar antes. Eu tive um gostinho de chegar bem perto de disputar o outro e perdi pelo fator do AVC”, contou.

A relação de Guilherme com o rúgbi começou durante o processo de reabilitação após um acidente de carro, em 2007, que provocou uma lesão medular. Em 2009, dois anos depois, ele teve o primeiro contato com a modalidade. Na época, uma pessoa ligada à equipe Guerreiros da Inclusão, do Rio de Janeiro, o apresentou ao esporte. A partir daí, passou a treinar e a disputar campeonatos.

Em 2010, recebeu a primeira convocação para a Seleção Brasileira. Anos depois, chegou ao ciclo que tinha como objetivo o Mundial de 2022 e era o capitão da equipe naquele ano.

“Foi algo super inesperado. Eu tenho uma rotina supersaudável de treinamento, de alimentação, de tudo. E aí eu sofri um AVC no CT, e até hoje não sabem exatamente a causa do acidente”, relembrou.

Guilherme foi levado rapidamente ao hospital, mas a causa exata do AVC não foi identificada, mesmo depois de meses de tratamento. A principal hipótese apontada pelos médicos foi uma anomalia genética que fazia com que algumas artérias do cérebro fossem menos espessas do que deveriam.

No início, o atleta teve perda de memória recente e uma sequela motora no lado esquerdo do corpo, que já apresentava limitações em razão da lesão medular causada pelo acidente automobilístico. O retorno ao esporte, porém, demorou. Sem liberação médica para praticar uma modalidade de contato e que exige grande demanda física, Guilherme ficou 11 meses sem jogar.

Quando finalmente voltou às quadras, ainda precisou defender sua equipe antes de recuperar espaço na Seleção Brasileira. O primeiro campeonato pela Seleção depois do AVC foi um marco para o atleta: o Qualificatório para os Jogos Paralímpicos de Paris, realizado em março de 2024, na Nova Zelândia.

“Estar ali na seleção, mostrar que eu venci o acidente e as sequelas, que eu consigo chegar em alto nível novamente, foi muito emocionante para mim”, afirmou. “Foi muito difícil. Eu perdi movimentos, eu tive que recuperá-los. Foi uma reabilitação diária ali, de muito trabalho. E também trabalho psicológico de pensar: ‘Você vai conseguir jogar como você jogava novamente? Você vai conseguir chegar à Seleção, conseguir jogar em alto nível de novo?’. Eu duvidei disso em muitos momentos”, disse.

Hoje, sem as sequelas deixadas pelo AVC, Guilherme vive uma nova fase na carreira. Segundo ele, a Seleção Brasileira chega ao Mundial em um momento de crescimento, com uma comissão técnica experiente e expectativas altas para a competição.

Para o atleta, disputar o Mundial diante da torcida brasileira torna a experiência ainda mais especial. “Eu estou me sentindo num momento especial da minha vida, num momento em que eu posso agarrar algo que passou entre meus dedos há pouco tempo. Então, acho que é um momento muito especial, ainda mais por ser em casa também. Tem a família, os amigos, a torcida do nosso lado”, afirmou.

A expectativa é que a atmosfera no Centro de Treinamento Paralímpico seja diferente de tudo o que Guilherme já viveu. Ele lembra da experiência da Copa América, disputada no ano passado, quando a torcida brasileira esteve presente e fez barulho durante os jogos. Para o Mundial, espera uma recepção ainda maior.

“Entrar em quadra com aquela torcida a nosso favor ali no CT Paralímpico vai ser mágico. Estamos prontos para darmos nosso melhor”, finalizou.

Tabela de jogos do Brasil na fase de grupos (sempre no horário de Brasília):
17/08
19h30 – Brasil x Países Baixos
18/08
19h30 – Brasil x Canadá
19/08
19h30 – Brasil x Austrália
20/08
11h – Brasil x Nova Zelândia
19h30 – Brasil x Estados Unidos

Patrocínio
A CAIXA e as Loterias CAIXA são as patrocinadoras oficiais do rúgbi em cadeira de rodas.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/mundial-de-rugbi-em-cr-atleta-volta-a-selecao-brasileira-apos-avc-e-estreia-na-competicao-em-casa/

Postado Pôr Antonio Brito

Nenhum comentário: